Cariocas indicam programas para se refrescar sem aglomerar nos dias mais quentes

Geraldo Ribeiro
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Foto: Hermes de Paula / Agencia O Glob / Agência O Globo

O pedagogo e TI, Fernando Jorge Pereira, de 43 anos, trabalha no Arpoador, mas desde o começo da pandemia só vê a praia, um de seus programas preferidos, de longe. Para fugir da aglomeração, ele trocou o banho de mar pelo de cachoeira. Uma de suas favoritas é a do Chuveirinho, no Horto, onde foi se banhar nesta sexta-feira de termômetros próximos aos 40 graus. A previsão da meteorologia é de que a temperatura vai continuar nas alturas durante o fim de semana, exigindo muita criatividade de quem pretende fugir da muvuca para refrescar

— Quando cheguei na cachoeira tinha umas 26 pessoas e ao sair havia mais de 30. Considerando o espaço menor que a praia, é muita gente. Mas, ainda assim é uma opção bacana e mais segura — acredita Fernando, que sugere a quem quer evitar aglomeração chegar o mais cedo possível, já que depois das 9h o público aumenta.

O morador de Santa Teresa indica ainda a Cachoeira dos Primatas, também no Horto. Essa, segundo ele, costuma atrair menos pessoas, mesmo em dias mais quentes. Porém, exige fôlego para vencer uma caminhada de cerca de meia hora por uma trilha. O passeio inclui a Gruta dos Primatas, um poço para banho, além da cachoeira principal, de onde é possível ver a Lagoa Rodrigo de Freitas.

— É uma boa opção para quem deseja fugir da muvuca, pois por causa da dificuildade de acesso atrai poucas pessoas — aponta.

Raphael Pazos, fundador da Comissão de Segurança no Ciclismo do Rio de Janeiro indica o Parque Nacional da Tijuca, que além das cachoeiras possui inúmeras trilhas e é uma boa opção para quem gosta de pedalar. O local , que estava fechado desde março, reabriu no começo de julho com regras rígidas de visitação durante a pandemia, incluindo exigência do uso de máscara, respeito ao distanciamento e a limitação de público no setor Floresta. O impedimento à circulação de veículos é uma das medidas visando a prevenção da formação de aglomeração.

— O parque é uma boa opção para os cariocas, pois tem acesso por diversas regiões, como Horto, Estrada das Canoas, Itanhangá, Alto da Boa Vista, Cosme Velho e Tijuca. E é bom porque está com regras bem rígidas, como a limitação do acesso ao setor Floresta que leva para algumas trilhas e mirantes. Além disso, por estar no alto é mais fresco, sendo uma boa alternativa para fugir do calor. Também tem muita sombra, cachoeiras e vistas maravilhosas. É uma área grande, aberta e sem aglomeração — recomenda Pazos.

Gabriel Ramiro, administrador da página “Ih Cariioquei!”sugere um passeio pela Ilha de Paquetá, para quem quer fugir de aglomeração em dias quentes. E, sugere visitas a lugares como o Parque Dark de Mattos, um jardim tropical ideal para passeios e piqueniques, além de possuir três mirantes com vista para a Baía de Guanabara. O parque ocupa a área de uma antiga chácara e é bem arborizado, garantindo a fresca.

—.A própria Pedra da Moreninha é um bom programa. Historicamente, a Ilha de Paquetá já é um lugar que não tem aglomeração, até porque a única forma de acesso é por meio das barcas — aponta.

Para quem não abre mão de um banho de mar, mas ao mesmo tempo quer fugir da aglomeração, William Eduardo Braga, de 37 anos, o Will Braga, indica as praias Funda, do Inferno e do Meio, que formam ciruito de praias selvagens de Barra de Guaratiba. Braga é criador da página no Instagram “Rio para pobres”, que sugere programas pelo Rio e arredores, em geral pouco conhecidos, que podem ser feitos gastante pouco ou nada.

— Se no fim de semana tiver 50 pessoas é muito. Essas praias não costumam encher porque o acesso a elas é só por trilha, o que é muito cansativo para quem não está acostumado. Mas o esforço compensa. Ainda tem a Pedra da Lua, que fica entre as praias Funda e do Inferno que vale uma parada para fotos — sugere.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) a temperatura deve se manter em torno dos 40 graus até segunda-feira, devendo registrar queda somente entre terça e quarta-feira. Segundo a meteorologista Marlene Leal, não há previsão de chuva para os próximos dias, porque a umidade relativa do ar está muito baixa, impedindo a criação de nuvens, gerando o que os metereologistas chamam de condição de bloqueio.

— Essa massa de ar quente está bloqueando o avanço das frentes frias, em grande parte do Sudeste e do Nordeste. Isso cria uma condição de baixa umidade, que não favorece a formação de nuvens para ocorrer precipitação (de chuva). É uma condição de bloqueio que a gente chama. A massa não está próxima à superfície. Está em níveis elevados e com um poder enorme de bloquear (a formação de nuvens) — explicou a meteorologista.

A onda de calor que tomou conta da cidade nos últimos dias fez a temperatura superar a média prevista para o mês de janeiro, que era de 34 graus. Para esta sexta-feira, a previsão é de que a temperatura fique entre 39 e 40 graus, segundo o Inmet. Alguns pontos da cidade, como Vila Militar e Jacarepaguá atingiram 31,9 graus no começo da manhã. Já na terça-feira, os termômetros devem marcar em torno de 37 graus e na quarta-feira, 35 graus.

— Vai cair (atemperatura) e sair dessa condição de onda de calor, porque vai ficar próximo da média, mas ainda bem quente e sem chuva — prevê Marlene Leal.