Cariocas que tomaram a primeira dose da Janssen relatam problemas para receber reforço da Pfizer

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RIO — Cariocas que receberam a vacina da Janssen há mais de cinco meses já estão autorizados pela prefeitura do Rio a receber a dose de reforço com o imunizante da Pfizer. A "mistura" é chamada tecnicamente de vacinação heteróloga e foi anunciada pelo secretário municipal de Saúde Daniel Soranz na última semana. Entretanto, em relatos nas redes sociais internautas que se enquadram neste caso dizem que tiveram dificuldade para receber o imunizante da Pfizer.

Em resposta a uma usuária em uma rede social, a prefeitura chegou a dizer que a dose de reforço só poderia ser aplicada com o imunizante da Janssen e que a aplicação só ocorrerá quando "o Programa Nacional de Imunização distribuir as doses para a cidade do Rio de Janeiro, o que não aconteceu até o momento."

Procurada, a prefeitura admitiu que em alguns pontos de vacinação houve "problemas pontuais" mas que as equipes foram orientadas novamente. Segundo a secretaria municipal de Saúde, "podem tomar a dose de reforço (DR) com a Pfizer os idosos que completaram o esquema vacinal (duas doses ou dose única) há mais de três meses. Pessoas de outras faixas etárias poderão tomar a DR quando completarem cinco meses do esquema vacinal."

Caso o carioca prefira tomar a segunda dose com a Janssen deve esperar a chegada do imunizante, prevista para o início de dezembro.

Devido a um desacordo entre o Ministério da Saúde (MS) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o reforço de imunização de quem tomou Janssen esteve cercado de incertezas nas últimas semanas. Em entrevista coletiva na semana passada, a Saúde anunciou para o imunizante um novo esquema de aplicação, em que ele seria ministrado em duas doses, separadas por um intervalo de dois meses; a dose de reforço só aconteceria cinco meses após a segunda. A Anvisa, porém, ainda entende a vacina da Janssen como uma vacina de dose única, conforme o aval de uso emergencial do produto.

Cerca de 170 mil pessoas foram imunizadas no Rio com a vacina da Janssen. No meio desse imbróglio, a prefeitura do Rio decidiu seguir o parecer da Anvisa e aplicar uma nova dose nesse público como dose de reforço, não como segunda dose. A exemplo do que ocorre com outras vacinas, a dose de reforço não precisa ser da mesma marca do imunizante recebido no ciclo inicial de vacinação, chamado de esquema primário. Além disso, por ser um procedimento off label (ou seja, não previsto na bula), ela não costuma passar pelo crivo da Anvisa.

Mesmo assim, na última sexta-feira, a Janssen protocolou junto à agência um pedido de autorização para a aplicação de uma dose de reforço de sua vacina, numa proposta semelhante à da prefeitura. O fabricante solicita que a bula do imunobiológico preveja não uma segunda dose, como recomendou o Ministério da Saúde, mas uma dose de reforço.

Na prática, a diferença é que a segunda dose da Janssen teria de ser da mesma vacina, enquanto a dose de reforço pode ser de outro imunizante. Além disso, a orientação do ministério propunha ao todo três doses para a vacina da Janssen (duas de esquema primário e uma dose de reforço), ao passo que a recomendação do fabricante se baseia num ciclo de duas doses, tal como o da prefeitura: uma dose de esquema primário (a "dose única", como é conhecida) e um reforço posterior, que não precisa ser do mesmo imunizante.

Na terça-feira, o Ministério da Saúde enviou aos gestores locais uma nota técnica com novas orientações para a imunização de quem tomou a vacina da Janssen, diferentes daquelas anunciadas em entrevista coletiva dias antes. Segundo o documento, quem já recebeu uma dose do imunizante deve tomar uma outra injeção da Janssen dois meses após a primeira aplicação.

A mais recente recomendação se alinha com as diretrizes da prefeitura, exceto por não considerar a possibilidade de um esquema heterólogo (reforço com vacina de outra marca). No Rio, na ausência da vacina da Janssen, o reforço é preferencialmente de Pfizer. Vale lembrar que o reforço heterólogo é uma medida reconhecida pela própria Janssen.

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