Carla Zambelli saca arma e aponta para homem nos Jardins, em SP; assista ao vídeo

A deputada federal reeleita Carla Zambelli (PL-SP), apoiadora do presidente Jair Bolsonaro (PL), sacou uma arma e apontou para um homem na tarde deste sábado no bairro nobre dos Jardins, em São Paulo. Em vídeo publicado em uma rede social, a deputada afirma ter sido hostilizada por "militantes de Lula". As circunstâncias do conflito não são claras.

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Em registros do ocorrido que estão circulando nas redes sociais, é possível ver uma discussão entre Zambelli e um homem negro na Alameda Lorena, região próxima de onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizava um ato de campanha neste sábado.

Em meio à discussão, Zambelli se desequilibra e cai. Ela levanta rapidamente e corre atrás do homem, junto com alguns de seus apoiadores, um deles, que é branco, aparece com uma arma na mão. É possível identificar o som do disparo de uma arma de fogo, mas não há uma imagem do momento do tiro. O homem negro é chutado por esse homem branco.

O homem negro que discutia com Zambelli segue pela Alameda Lorena até entrar num bar na mesma via. Na sequência, é possível ver a deputada chegando no local, com uma arma na mão.

Zambelli afirmou que almoçava com o filho de 14 anos no restaurante Kiichi, nos Jardins, quando foi agredida física e verbalmente por apoiadores de Lula na saída do local. Questionada sobre a proibição de portar arma de fogo antes das eleições, ela afirmou que não respeita decisão do ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

— A resolução é ilegal e ordens ilegais não se cumprem — disse em entrevista a jornalistas depois do ocorrido.

O caso aconteceu nas vésperas do segundo turno da eleição presidencial. O TSE proibiu, em setembro, o transporte de armas por colecionadores, atiradores e caçadores no dia das eleições, e também nas 24 horas anteriores e nas 24 seguintes ao dia da votação. Conforme a decisão, o "descumprimento da referida proibição acarretará a prisão em flagrante por porte ilegal de arma sem prejuízo do crime eleitoral correspondente".

Segundo Renato Ribeiro de Almeida, advogado e coordenador acadêmico da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político, Zambelli feriu a decisão.

— Além da clara violação ao artigo, as circunstâncias fáticas do ocorrido precisam ser esclarecidas. A parlamentar pode, em tese, sofrer sanções por quebra de decoro parlamentar que, em último caso pode até mesmo levar à cassação do mandato — diz o advogado especialista em Direito Eleitoral.

Relato de Zambelli

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A deputada bolsonarista publicou um vídeo em seu Instagram em que afirma ter sido agredida verbalmente e cuspida pelo homem negro. Ela disse ter pedido para ele esperar ela chamar a polícia e "dar flagrante". Zambelli declarou que correu atrás dele com uma arma pois ele "evadiu".

— Me empurraram, até me machucaram aqui, me empurraram no chão, me chamaram de filha da puta, de prostituta, mandaram eu tomar no .., ele me cuspiu várias vezes. Quando ele me empurrou, eu caí, eu saí correndo atrás dele, falei que ia chamar a polícia, que ele tinha que ficar aqui para esperar a polícia chegar. E aí ele se evadiu, eu saquei a arma e saí correndo atrás dele, pedindo para ele parar. Ele ficou com medo, parou dentro de um bar, pedi para ele esperar porque eu ia chamar a polícia e dar flagrante. Ele começou a pedir desculpa. Acabamos de filmar o pedido de desculpas, eu falei: tá bom, você pediu desculpas, pode ir. Ele começou a fazer de novo — relatou a parlamentar ao lado de polícias.

Em vídeo de quase quatro minutos, Zambelli ainda afirma que teve seu número tornado público ontem e diz que passou a receber ameaças de morte.

Relato de testemunhas

Testemunhas que estavam em um bar na esquina da Alameda Lorena com a Rua Joaquim Eugênio de Lima ouviram dois disparos no momento da confusão. Na sequência, o homem negro entrou correndo dentro do estabelecimento, seguido pela deputada federal.

Segundo dois rapazes que estavam em uma mesa, ela entrou com a arma apontada dizendo "Só vou te liberar se pedir desculpa", além de repetir "Deita no chão". Em determinado momento, o homem negro levantou as mãos para o alto, pediu desculpa e deixou o local. Zambelli teria então dito que só "não o prenderia porque hoje não é permitido", em alusão à lei eleitoral em vigência.