Carla Zambelli vira estrela da direita em SP e pode mirar mais alto em 2022

FÁBIO ZANINI
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*ARQUIVO* BRASILIA, DF,  BRASIL,  29-04-2020 - A deputada Carla Zambelli (PSl-SP).  (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASILIA, DF, BRASIL, 29-04-2020 - A deputada Carla Zambelli (PSl-SP). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O salão do clube Primeiro de Maio, no centro de Santo André, estava um tanto desanimado na tarde chuvosa da última sexta-feira (30) até chegar a grande estrela do 1º Congresso Conservador Direita Pelo Brasil –mesmo mais de duas horas atrasada.

A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) era quem as cerca de cem pessoas presentes mais queriam ver. O tamanho da plateia à primeira vista não é muito impressionante, mas ali estavam candidatos a prefeito e vereador, líderes de movimentos conservadores e ativistas com suas próprias bases de seguidores. Multiplicadores, portanto.

“O candidato que quiser meu apoio me manda CPF, RG e link da página na rede social”, anunciou ela, que ditou seu email ao microfone. Se for conservador legítimo e sem problemas na Justiça, afirmou, receberá seu apoio. Com uma única exceção: a cidade de São Paulo, onde ela pede voto apenas para Bruno, seu irmão, candidato a vereador pelo PRTB.

Aos 40 anos e no primeiro mandato, a ex-ativista de rua vive seu auge na política, e nada indica que vá parar de crescer. A saída de Joice Hasselmann (PSL-SP) da base bolsonarista eliminou uma espécie de sombra que havia sobre ela, e a transformou numa das principais referências entre apoiadores do presidente no principal estado do país.

Nem sua proximidade com o ex-juiz Sergio Moro, que foi seu padrinho de casamento, foi suficiente para chamuscar sua popularidade entre os defensores de Bolsonaro. Zambelli agiu rápido, rompendo com o ex-ministro e mantendo apoio incondicional ao presidente.

Na atual campanha, ela já pediu votos em fotos ou vídeos para candidatos da Grande São Paulo e cidades do interior, como Sorocaba, Tatuí e Monte Mor.

É comum aparecer em santinhos, como neste, do candidato a vereador Giovani Falcone (PRTB), em São Caetano do Sul.

Seu discurso é de que a revolução conservadora não estará completa se também não houver avanços da direita no Legislativo. “A gente não conseguiu renovar o Congresso Nacional como a gente queria na eleição passada. Esta é a nossa missão em 2022, além de reeleger o presidente”, disse ela à plateia no evento de Santo André.

Por isso, explicou, é importante eleger o máximo possível de vereadores agora, para que muitos deles sejam candidatos com chances ao Congresso ou às Assembleias Legislativas daqui a dois anos.

Ela promete ajudar, mas com uma ressalva. “Vou fazer campanha para quem é bolsonarista desde 2018, não para quem só apareceu agora”, afirmou.

O nome da deputada como candidata ao Senado em 2022 tem circulado entre lideranças conservadoras de São Paulo, seja pelo novo partido Aliança Pelo Brasil (caso finalmente criado) ou alguma legenda próxima do presidente, como PTB, PRTB ou Republicanos.

À plateia de ativistas, ela fez uma referência especial à necessidade de aumentar a representação conservadora na Casa, talvez uma pista do caminho eleitoral que pode seguir daqui a dois anos. “Senadores a gente precisa eleger uns 20 no mínimo. É o Senado que faz o impeachment de ministros do STF, precisa falar mais?”.

Além do irmão na capital, ela tem o pai, João Hélio Salgado, concorrendo ao cargo de vice-prefeito em Mairiporã, na Grande São Paulo, pelo Patriota. “Aí dizem que eu vou ajudar meu pai e meu irmão. Queriam que eu ajudasse quem? Eu só não apoio minha irmã, que é de esquerda”, afirmou.

Um dos motivos da popularidade de Zambelli na base conservadora é o fato de ela, no Congresso, continuar comportando-se como uma ativista. Ela não nega.

“Ser eleita não mudou nada para mim. Eu achei que fosse chegar lá no Congresso e mudar tudo. Só que eu sou apenas uma em 513. Mas eu percebi que o que dá pra fazer é pegar tudo de ruim que aparece e rebater”, disse no evento.

Sua vida de ativista é relativamente recente. Começou há menos de dez anos, primeiro com pequenos protestos em 2011, passando pelas manifestações de 2013, impeachment de Dilma Rousseff e eleição de 2018.

Como num talk show, ela mostrou à plateia uma apresentação de fotos de sua trajetória, em um telão. Uma das primeiras imagens, de 2011, deu a deixa para a deputada relembrar como iniciou sua militância.

“Era um ato pequeno, contra a corrupção, e me perguntaram se eu era de esquerda ou era de direita. Eu lembro que respondi: não sei, eu só sei que sou contra a corrupção. Isso mostra como eu era ignorante politicamente”.

Mas foram as manifestações contra Dilma, em que ela era uma das lideranças do grupo Nas Ruas, que lhe deram projeção. “Tudo o que eu queria era que a Dilma me processasse. Hoje me perguntam por que eu não processo quem me calunia. Eu penso com a cabeça de ativista. Processo é tudo que um ativista quer”.

Quando apareceu no telão uma foto dela com Joice, do início do governo Bolsonaro, ela finge surpresa: “Por que colocaram essa bosta aí? Vou ter que conversar com meu assessor”, brinca, para depois contemporizar. “Mas faz parte da história”.

Logo em seguida vem uma imagem do deputado Alexandre Frota (PSDB-SP), outro que rompeu com o presidente. Zambelli faz um barulho de vômito ao microfone. A plateia vibra.

Ao surgir uma foto de Moro, ela diz: “traição”. “Mas fez um bom trabalho como juiz. A gente tem que saber separar”, afirma. A plateia aplaude.

Pouco mais de uma hora após chegar, ela pede desculpas e diz que vai deixar o evento mais cedo, porque precisa prestigiar um ato de campanha do irmão. “Fui eu que botei ele nessa enrascada, preciso ir lá ajudar”.

Não sem antes dar um último recado aos ativistas da plateia, reforçando a necessidade de ocupar espaços no Legislativo. “A gente precisa de base no Congresso. Nós não somos super-heróis”.