Carlos Alberto Sardenberg edita livro póstumo da mulher, a psicanalista Cybelle Sardenberg: ‘Foi como conversar com ela de novo’

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Acostumada a escrever artigos, teses e livros acadêmicos, a psicanalista Cybelle Weinberg Sardenberg começou a se aventurar na literatura quando recebeu o diagnóstico de um câncer raro e agressivo nos seios, em 2017. Nos dois anos e oito meses em que conviveu com a doença, Belle, que morreu em outubro de 2019, deu vazão à criatividade em relatos pessoais e textos ficcionais e começou um o projeto de um livro sobre “mulheres excessivas e as manifestações do feminino na história do Ocidente”.

Não conseguiu terminar tudo, mas deixou os escritos extremamente organizados em pen-drives. Coube ao marido, o comentarista de economia da TV Globo, CBN e Globonews e colunista do GLOBO, Carlos Alberto Sardenberg, “juntar forças” para editar o material e publicar as últimas produções de Belle. Ele lança na próxima quinta, dia 25, em São Paulo (na Livraria da Travessa da Rua dos Pinheiros, 513), a partir das 17h, “O livro da Belle — Histórias de mulheres” (Editora Amar-Amaro). No dia 30, o lançamento acontece no Rio, na Travessa do Shopping Leblon, no mesmo horário.

—Sabia que Cybelle tinha um talento literário enorme — diz o jornalista, que, a princípio, mostrou os textos para poucos. — A ideia inicial era só distribuir para os amigos, mas falaram que estava bom. Pessoas que a conheceram e leram diziam que era uma Cybelle diferente. Muita gente estava acostumada ao trabalho acadêmico e, de repente, ela aparece fazendo ficção, reflexões pessoais. Isso surpreendeu. E foi uma das razões que me levou a insistir na publicação.

Formada em filosofia pela PUC-SP, com mestrado na Faculdade de Medicina da USP e psicanalista especializada em transtornos alimentares, Cybelle tinha o ser feminino como ponto principal de suas criações.

— Com o estudo de anorexia nervosa, ela se envolveu muito com o tema de manifestações do feminino — diz Sardenberg, que escreve o prefácio e o último capítulo, com a história de Cybelle. — Nos textos, há sempre esse viés, sempre esse universo.

Deparar com o conteúdodo mundo de Belle foi um processo árduo para Sardenberg. Mas fez parte da elaboração do luto.

—Foi como conversar com ela de novo. Você lê os textos e parece que está ouvindo-a falar. É uma sensação misturada, de tristeza, mas de satisfação por ter concluído esse livro.

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