Carlos Bolsonaro, apontado como chefe do "gabinete do ódio", é citado 43 vezes no inquérito dos atos antidemocráticos

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Foto: Buda Mendes/Getty Images
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O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) tem seu nome citado 43 vezes no inquérito que apura a organização e o financiamento dos atos antidemocráticos. O parlamentar, filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), estaria “ajudando” e “cooperando” com canais suspeitos de ataques às instituições e ao sistema democrático. As informações são do jornal o Estado de S. Paulo.

O veículo teve acesso ao inquérito que traz depoimentos de testemunhas e investigados. Em julho, Anderson Rossi, dono do Foco do Brasil, foi questionado sobre uma possível ajuda de Carlos com seu canal, que possui faturamento de R$ 140 mil por mês.

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O empresário nega ter recebido ajuda do filho do presidente, mas admitiu que foi auxiliado por Tércio Arnaud Tomaz, amigo de Carlos e um dos mais nomes apontados como chefe do “gabinete do ódio", que funcionaria dentro do Palácio do Planalto. A “ajuda” consistiria em repasse de imagens exclusivas do presidente, fornecendo material único ao seu canal.

O inquérito apura também se, durante a campanha presidencial vencida por Bolsonaro em 2018, houve atuação de assessores do gabinete de Carlos no impulsionamento de páginas a favor do pai dele em redes sociais.

Segundo o Estadão, Tércio Arnaud admite ter trabalhado para Jair Bolsonaro no período em que atuava como assessor no Legislativo fluminense, mas alegou que a atuação na gestão das páginas do então candidato era “voluntária” e motivada por “iniciativa própria”.

Recebendo da Câmara fluminense, Tércio afirmou, segundo o jornal, que “continuou a cuidar do Blog ‘Bolsonaro Opressor’” como uma forma de ajudar”. A página chegou a ter 1,5 milhão de seguidores e foi tirada do ar pelo Facebook por infringir as regras da rede.

José Matheus Sales Gomes, assessor especial da Presidência, também confirmou à Polícia Federal que trabalhou de forma “voluntária” e “sem remuneração” durante a campanha eleitoral que elegeu Bolsonaro em 2018.

A PF ainda apura se Carlos Bolsonaro tem coordenado as ações de assessores que atuariam no “gabinete do ódio". Segundo o jornal, José Matheus admitiu que ajuda “eventualmente” o vereador, já que ele administra contas de redes sociais do pai.

Em setembro, o jornal O Globo revelou que a PF apurava se Carlos Bolsonaro e integrantes do “gabinete do ódio” se reuniram previamente para combinar detalhes dos depoimentos que seriam prestados no inquérito.

Questionados sobre o último encontro que haviam tido com o filho do presidente, José Matheus e Tércio Arnaud disseram que conversaram com Carlos no mesmo dia do depoimento.

Em seu depoimento, Carlos Bolsonaro afirmou, segundo revelado pelo Estadão, que nunca utilizou verba pública para manter canais e perfis em redes sociais. Ele ainda disse não ser “covarde” ou “canalha” para fazer uso de “robôs".