Carlos Bolsonaro quebra o silêncio de uma semana nas redes e publica sobre censura

O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) pôs fim ao silêncio em sua conta no Twitter e recuperou uma antiga postagem em que comenta sobre censura. Filho do presidente Jair Bolsonaro, Carlos atuava como um dos coordenadores da campanha de reeleição do pai, e não publicava nada desde o dia 30 de outubro, antes do resultado que consagrou Lula novo presidente.

"Um regime de censura nunca começa de forma absoluta, mas com uma suposta boa causa que lhe dê legitimidade. Por isso os primeiros alvos sempre são grupos que já passaram por um intenso processo de marginalização, cujo silêncio acaba sendo considerado até um favor à "democracia", publicou o parlamentar.

O texto republicado pelo vereador foi postado um dia após deputados da base bolsonarista terem suas contas suspensas nas redes sociais. Os perfis dos deputados federais Major Vitor Hugo (PL-GO), Coronel Tadeu (PL-SP), e dos deputados eleitos Nikolas Ferreira (PL-MG) e Gustavo Gayer (PL-GO) foram retirados do ar por ordem do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).Os parlamentares compartilharam o vídeo de um consultor argentino, amigo do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que divulga desinformação sobre as urnas eletrônicas.

A decisão ocorreu junto com o pedido de retirada do perfil do economista Marcos Cintra, candidato a vice da candidata à Presidência Soraya Thronicke (União Brasil) nestas eleições.

Levantamento feito pelo GLOBO, com base na plataforma de monitoramento de redes da Meta CrowdTangle, aponta que Bolsonaro e seus três filhos políticos — além de Carlos, Flávio e Eduardo —, reduziram a frequência de postagens nas plataformas digitais desde a eleição de Lula. A média de publicações por dia, no Facebook, é 14 vezes menor que a registrada durante a campanha eleitoral.

Os dados consideram apenas o Facebook, mas os conteúdos compartilhados pela família Bolsonaro costumam ser os mesmos em todas as redes. Nos cinco dias seguintes ao segundo turno, o clã fez apenas nove postagens no Facebook, se considerados os perfis de Bolsonaro e dos filhos, o que significa uma média de menos de duas publicações por dia. Entre 4 de agosto e o domingo do segundo turno, os perfis do atual presidente e dos filhos fizeram, em média, 26 postagens por dia somados.

Único a se manifestar nas 24 horas seguintes ao resultado, Flávio usou a rede para demonstrar apoio ao pai e compartilhou, assim como Eduardo, imagens de um ato golpista com pedidos de intervenção federal feito no Rio. “Aplausos de pé a todos os brasileiros que estão nas ruas protestando, espontaneamente, contra a falência moral do nosso país! Confiem no Capitão!”, escreveu o senador.

Além de reproduzir a primeira coletiva do pai e de endossar os atos, Eduardo voltou às redes no sábado para criticar bloqueios de contas de bolsonaristas, como a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) e o deputado eleito Nikolas Ferreira (PL-MG), após o compartilhamento de desinformação. O deputado classificou as medidas como censura. No caso de Nikolas, o bloqueio ocorreu após sua conta compartilhar uma live feita por um argentino, amigo de Eduardo, em que ele faz acusações infundadas sobre a totalização de votos no Brasil.