Carlos Bolsonaro quer pagar ‘dívida eleitoral’ com a mãe

Paulo Cappelli
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Em busca da reeleição, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos) planeja uma campanha centrada nas redes sociais, praticamente sem ir às ruas pedir voto. A postura é diferente da adotada em eleições passadas, quando chegou a ir à orla distribuir santinhos ao lado do pai, o presidente Jair Bolsonaro.

Segundo pessoas próximas, o parlamentar avalia que postagens na internet trazem mais retorno do que pedir votos pelo Rio uma vez que possui cerca de cinco milhões de seguidores somando Instagram, Twitter e Facebook. Outro fator que contribui para a campanha virtual é o quesito segurança. Essa é a primeira vez que ele disputará a eleição na condição de filho do presidente da República.

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Como forma de suprir a ausência nas ruas, o Republicanos, partido ao qual Carlos é filiado, tem dado destaque à campanha do político na propaganda eleitoral no rádio e na televisão.

Mesmo sem ir às ruas pedir voto, Carlos chegou a usar as redes sociais para pleitear doações para a campanha alegando que, sem a ajuda financeira de seus seguidores, poderá não ser reeleito. O vereador tem incentivado apoiadores a retirarem kits de sua campanha, como adesivos e santinhos, em um depósito em Bento Ribeiro, na Zona Norte do Rio.

Outra preocupação de Carlos é com a eleição da mãe, Rogeria Nantes (Republicanos), que, assim como ele, tenta uma vaga na Câmara Municipal do Rio. Ex-mulher do presidente, ela também tem como filhos o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Segundo um aliado de Carlos, o vereador quer pagar uma “dívida eleitoral” que tem com a mãe, por conta de um episódio ocorrido há 20 anos.

Na ocasião, seguindo ordens do pai, Carlos concorreu à Câmara Municipal contra a própria mãe, então vereadora. Ele tinha 17 anos de idade e se elegeu, enquanto Rogeria perdeu o mandato. Vinte anos após o desentendimento, o presidente permitiu que a ex-mulher utilize seu sobrenome e imagem no material de campanha deste ano.

É um desejo dos irmãos Carlos, Flávio e Eduardo que a mãe seja eleita. Desde que perdeu a vaga na Câmara, Rogeria passou por cargos comissionados na administração pública, como assessora na prefeitura e parlamentar do deputado estadual Anderson Moraes (PSL-RJ) na Alerj. De comum acordo entre o trio, Flávio e Eduardo gravarão um vídeo de apoio à mãe. O conteúdo será divulgado na TV e nas redes sociais.

Divisão do eleitorado

A expectativa do núcleo de Bolsonaro é que, assim como em 2016, Carlos seja o vereador mais votado, mas que Rogeria também consiga uma vaga na Câmara, angariando voto do eleitorado feminino de Bolsonaro e do segmento religioso. Na campanha, Carlos se apresenta como representante da ala ideológica do bolsonarismo, próximo dos militares, e divulga sua atuação na Câmara. Rogeria pede o voto das mulheres que apoiam Bolsonaro.

— Há espaço para os dois se elegerem. Para isso é preciso que essa segmentação do eleitorado seja bem feita — disse um colaborador da campanha de Rogeria.