Carlos, o Chacal é condenado à prisão perpétua por atentado em Paris

Por María Elena BUCHELI
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(A partir da esquerda) Imagens de Carlos, o Chacal nos anos 1970, em 2001 e em 2013

O venezuelano Ilich Ramírez Sánchez, conhecido como Carlos, "o Chacal", nome conhecido do terrorismo internacional dos anos 1970 e 1980, foi condenado nesta terça-feira à prisão perpétua por um atentado contra uma galeria comercial de Paris que deixou dois mortos e 34 feridos em 1974.

Esta é a pena máxima prevista pela lei francesa e corresponde ao pedido da Promotoria, que considerou que "todos os elementos reunidos durante a investigação convergem para ele".

Carlos, atualmente com 67 anos, que alega ter matado com sua organização 1.500 pessoas, 80 delas com as próprias mãos, nega qualquer envolvimento no atentado de 1974, cometido com uma granada em pleno centro de Paris.

Preso na França desde que foi capturado em 1994 em uma operação no Sudão, o declarado ativista da causa palestina já cumpre duas condenações à prisão perpétua por um triplo homicídio em 1975 em Paris e por quatro atentados cometidos na França há 30 anos.

"As vítimas que lutam em meio a uma solidão extrema há 40 anos conseguiram justiça hoje", afirmou Georges Holleaux, advogado de 18 das 30 partes civis do processo, incluindo as viúvas dos dois mortos.

"Este veredicto é a prova de que a impunidade não existe a partir do momento em que se luta. Que os autores de crimes terroristas saibam disso, as vítimas não desistirão nunca", completou.

A defesa, que havia solicitado a absolvição de Carlos, por considerar que não existia nenhuma prova de sua culpa, anunciou que vai recorrer da sentença.

"Nos veremos em um ano", disse Francis Vuillemin, advogado de Carlos há 20 anos.

Em sua última declaração antes do veredicto, Carlos falou por 30 minutos e tentou desacreditar um processo que chamou de "irregular".

"Os processos criminais não são estranhos para mim", disse o venezuelano, antes de pedir ao presidente do tribunal "a decisão correta".

"O Chacal", que se apresentou à corte como um "revolucionário profissional", manteve a ambiguidade sobre seu envolvimento no atentado de 1974.

"Talvez tenha sido eu, mas não há nenhuma prova", afirmou, em tom de provocação.

O julgamento aconteceu após uma longa batalha legal.

Para a acusação, o atentado de Paris aconteceu no contexto da tomada de reféns na embaixada da França em Haia. Um comando do Exército Vermelho Japonês (ERJ), braço da Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP) - da qual Carlos era membro das "operações especiais" - exigia a libertação de um de seus membros, detido no aeroporto parisiense de Orly dois meses antes.

A acusação também se baseou nos testemunhos de antigos companheiros de luta de Carlos.

Os investigadores também reconstituíram o circuito da granada utilizada no atentado, que era do mesmo lote - roubado em 1972 em um acampamento militar americano - que as usadas pelos sequestradores de Haia, descoberta em Paris na residência da amante de Carlos.

A promotoria também citou uma entrevista concedida no final de 1979 para a revista Al Watan Al Arabi, na qual Carlos reconheceu ter lançado uma granada. Mas logo depois negou que tenha dado a entrevista.