Carlos Ghosn: como pai e filho ajudaram ex-chefão da Nissan a fugir do Japão dentro de mala

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Carlos Ghosn
Ghosn foi acusado de crimes financeiros graves no Japão

Por muito tempo foi um mistério como o franco-brasileiro Carlos Ghosn, ex-chefe da Nissan acusado de fraude fiscal, conseguiu fugir do Japão para o Líbano.

Agora, um pai americano e seu filho admitiram que o ajudaram a enganar as autoridades em 2019.

O ex-veterano das forças especiais dos Estados Unidos Michael Taylor, de 60 anos, e seu filho Peter, de 28, foram extraditados para os EUA sob a acusação de terem carregado o magnata em uma mala.

A fuga na mala foi feita em um jato particular quando o executivo aguardava seu julgamento.

Os promotores dos EUA classificaram a ação como "um dos atos de fuga mais flagrantes e mais bem orquestrados da história recente".

Suposta casa de Ghosn em Beirute
Documentos do tribunal listam esta casa como uma das propriedades de Ghosn em um bairro rico de Beirute

Em um tribunal de Tóquio, os dois americanos decidiram não negar os indícios apresentados pelos promotores na acusação.

Ambos podem pegar até três anos de prisão.

Taylor e seu filho responderam "não" quando questionados por um juiz se houve algum erro nas acusações apresentadas pelo Ministério Público de Tóquio na segunda-feira, segundo a agência de notícias Reuters.

O pai e o filho são acusados ​​de orquestrar a fuga de Ghosn para o Líbano a partir do aeroporto de Kansai, no oeste do Japão, em dezembro de 2019.

Eles também são acusados ​​de receber em troca US$ 1,3 milhão (R$ 6,5 milhões).

Como Carlos Ghosn escapou do Japão?

O ex-chefe da Nissan foi declarado fugitivo internacional, mas está morando na casa onde cresceu no Líbano, país que não tem acordo de extradição com o Japão.

Carlos Ghosn em outdoors no Japão
Por ser uma figura famosa e facilmente reconhecível no Japão, Ghosn teve que tentar passar despercebido

De acordo com o relato ouvido no tribunal, Ghosn estava em liberdade sob fiança enquanto aguardava julgamento por quatro acusações de má conduta financeira, que ele nega, quando conseguiu escapar da vigilância das autoridades e entrar em um jato particular.

'Mantido refém'

O especialista em segurança privada Taylor e seu filho lutaram durante meses para evitar a extradição, até que a Suprema Corte dos EUA decidiu os entregar às autoridades japonesas em março.

Os promotores de Tóquio se recusaram a comentar as acusações contra pai e filho antes do julgamento.

A agência de notícias Reuters lembrou que o índice de condenação no Japão é de 99%.

Após sua chegada ao Líbano, Ghosn disse que tinha sido mantido "refém" no Japão, onde teria apenas duas alternativas: morrer lá ou fugir.

Um tribunal turco condenou um executivo da companhia aérea turca MNG e dois pilotos por seu papel na operação para tirá-lo do Japão.

Carlos Ghosn
Carlos Ghosn tinha grande fama na sociedade japonesa por seu sucesso empresarial

Ghosn foi preso pela primeira vez sob a acusação de má conduta financeira em novembro de 2018, acusado de supostamente não informar sobre seu acordo salarial por cinco anos até 2015.

Quem é Carlos Ghosn?

O brasileiro Carlos Ghosn foi presidente do conselho de administração da gigante automotiva Nissan. Ele foi considerado um "titã" no setor por quase 20 anos.

Em novembro de 2018, a Nissan, que é a sexta maior montadora do mundo, relatou que havia descoberto em uma investigação interna que Ghosn havia relatado às autoridades receitas abaixo do real.

Nascido em Rondônia, no Brasil, de ascendência libanesa e cidadania francesa, Ghosn diz que sua origem despertou nele um sentimento de ser diferente, o que o ajudou a se adaptar a novas culturas.

Ele chegou a ser considerado um candidato potencial para presidente do Líbano, mas acabou descartando a possibilidade porque já tinha "muitos empregos".

Depois de estudar engenharia na École Polytechnique e na École de Mines de Paris, Ghosn iniciou sua carreira na Michelin, ocupando cargos na França e no Brasil.

Mais tarde veio a Renault. Ele ingressou na Nissan em 1999, depois que a Renault comprou uma participação na montadora japonesa, e se tornou seu presidente-executivo em 2001.

O executivo é considerado um "titã" porque foi o responsável pela reviravolta dramática da Nissan nos primeiros anos do século 21, quando a montadora estava à beira da falência.

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