Carlos Vereza diz que foi convidado por Regina Duarte para assumir cargo na secretaria de Cultura

Daniel Gullino, Marco Grillo e Gustavo Maia

BRASÍLIA — O ator Carlos Vereza, um dos artistas presentes na cerimônia de posse da nova secretária especial de Cultura, Regina Duarte, afirmou que foi convidado para assumir um cargo na pasta, e está avaliando a ideia. Além de Vereza, foram à cerimônia as atrizes Rosamaria Murtinho, Maria Paula e o locutor de rodeios Cuiabano Lima.

— Fui convidado. Vou dar uma pensada. Eu não sei para qual cargo, acho que é para falar besteira – brincou Vereza. – Ela é minha amiga há muito tempo. E tem dito diuturnamente para mim: "Vereza, eu quero pacificar a categoria, sem discriminação, sem dividir a categoria, buscar as pessoas que apresentem projetos, que apresentem propostas, a Secretaria de Cultura está aberta para todos os colegas, literalmente toda a categoria".

Em seu discurso de posse, Regina disse ter chegado para “pacificar” a pasta, que já teve três secretários no intervalo de um ano, mas deixou claro que o convite recebido foi "com carta branca". Em seu primeiro dia de trabalho a atriz já foi alvo nas redes sociais de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, que criticaram exonerações feitas pela secretária.

Apesar das tensões iniciais, Vereza também disse acreditar que a postura da nova secretária vai diminuir a oposição a ela:

— Contra, todo mundo pode ser contra qualquer tipo de propostas. Mas acredito que, a medida que a Regina vá mostrando trabalho, vá mostrando para que ela veio, acho que esse tipo de oposição vai se dissolvendo, sabe? Se diluindo. Porque a Regina não é uma pessoa belicista, é uma pessoa de paz. Não é possível você brigar com uma pessoa que vem propondo a pacificação.

A atriz Maria Paula, que atualmente preside o projeto social Embaixada da Paz, em Brasília, elogiou o discurso da secretaria especial da Cultura.

– Cultura não tem nada a ver com partido político, é de todo mundo. Brasil é plural e todo mundo tem que ter vez aqui. A gente precisa então se unir para garantir isso. A forma da pacificação, que ela sinalizou, é melhor. A gente tem que se unir de forma respeitosa e pacífica e não agredindo uns aos outros, desqualificando uns aos outros.

Já o locutor de rodeios Cuiabano Lima elogiou a “coragem” de Regina para assumir o cargo:

– Ela vai representar muito bem a nossa cultura, pela sensibilidade que ela tem. É um desafio, porque as críticas existem. Não basta o ser humano ter talento, tem que ter coragem, e ela foi muito corajosa. Tiro meu chapéu por causa de tudo que ela teve que abdicar.

Ao fim da cerimônia, Bolsonaro foi cercado por simpatizantes ávidos por tirar fotos com ele. A atriz Rosamaria Murtinho então se aproximou do presidente e passou a falar ao seu pé do ouvido. Inicialmente sorrindo, depois de exaltar a artista, ele ficou subitamente sério enquanto ouvia Rosamaria. Ao fim da conversa de menos de um minuto, ela pediu sigilo colocando o indicador sobre os lábios.

A exoneração de nomes ligados ao escritor Olavo de Carvalho, como Dante Mantovani, que presidia a Funarte, gerou reações entre apoiadores de Bolsonaro e fez com que a hashtag #ForaRegina se tornasse um dos assuntos mais populares do Twitter. No Facebook, Mantovani também reagiu. Em uma publicação nesta manhã, ele listou ações que tomou à frente da Funarte e afirmou que agora a fundação será entregue a opositores do governo. “Tudo isto no dia de hoje será entregue ao PSOL. O mesmo PSOL cujo esfaqueador de Bolsonaro engrossou fileiras como militante”, escreveu.