Carminha Jerominho, filha de condenado por chefiar milícia, não consegue se eleger no Rio

Rafael Soares
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Facebook / Reprodução
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RIO - Carminha Jerominho (PMB), filha de Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho, condenado por chefiar a maior milícia do Rio, não conseguiu uma vaga na Câmara dos Vereadores do Rio. Ela obteve pouco mais de 4 mil votos. Essa é a segunda vez que Carminha — que é alvo de investigações da polícia por conexão com a milicia — falha ao tentar voltar ao cargo: em 2012, ela se candidatou e também não conseguiu ser eleita.

Em 2008, Carminha conseguiu se eleger mesmo estando presa após ser acusada de usar a milícia para coagir eleitores na Zona Oeste. A filha de Jerominho estava dentro da penitenciária federal de segurança máxima de Catanduvas, no Paraná, quando saiu o resultado da eleição. Um ano depois da prisão e de ser eleita, a herdeira do clã foi cassada por arrecadação irregular de verba, mas voltou ao cargo em 2011 por decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

Na semana passada, a campanha de Carminha foi alvo de uma operação da Polícia Federal que mirou comitês de campanhas e empresas ligadas à prática de lavagem de dinheiro conexos a crimes eleitorais na Zona Oeste do Rio. Agentes da PF cumpriram mandados de busca e apreensão nas residências de Jerominho e seu irmão, José Guimarães Natalino — ambos soltos desde o ano passado, após de passarem mais de dez anos na cadeia.

Durante as investigações, foram identificadas movimentações financeiras atípicas na ordem de R$ 1 milhão em empresas ligadas aos investigados a partir da análise dos Relatórios de Inteligência Financeira (Rifs). De acordo com a PF, esses recursos possivelmente seriam destinados para gastos de campanhas eleitorais. A "Operação Sólon" mirava também a campanha de Jéssica Natalino, filha de Natalino e candidata a vice-prefeita na chapa de Suêd Haidar (PMB), que também não conseguiu se eleger. A PF sustenta que o grupo investigado tem ligações históricas com a milícia na Zona Oeste e o objetivo de retomar o poderio político na região por meio da candidatura de parentes.

Após a operação, Carminha Jerominho disse ao GLOBO que a atuação da PF repetiu um padrão de eleições anteriores, em que ela e a família já tinham sido alvos.

— Isso aí (a operação) é fruto de denúncias de adversários políticos. Toda eleição é a mesma coisa. Em 2008, fui presa. Em 2012, forjaram um lugar que não era meu comitê — declarou a candidata, em referência a um depósito de materiais de campanha onde a PF encontrou armamentos pesados naquele ano.

Outros candidatos investigados por ligação com a milícia também não conseguiram se eleger no Rio. Daniel Carvalho (PTC), filho de outro miliciano condenado, o ex-vereador Luiz André Ferreira da Silva, também não conseguiu se eleger. Ao todo, ele recebeu 1.480 votos. Já Jair Barbosa Tavares, o Zico Bacana (Podemos), recebeu mais de 11 mil votos, mas não conseguiu se reeleger. O vereador foi alvo de um atentado no último dia 2. A polícia investiga se o crime foi motivado por uma disputa entre milicianos e traficantes.