Carnaval 2021: Indefinição sobre realização de desfiles preocupa empresários

Geraldo Ribeiro
Desfile 2021 ainda é incerteza

RIO — Um dia após a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa) anunciar que deixará para setembro uma definição sobre os desfiles na Marquês de Sapucaí, o Sindicato dos Meios de Hospedagem do Município do Rio (Hotéis Rio) pediu nesta quarta-feira uma definição o quanto antes, mesmo que seja pelo adiamento da festa. Presidente da entidade, Alfredo Lopes argumentou que todos os setores ligados ao turismo precisam se preparar para uma provável mudança, que nortearia planos de contenção de despesas ou de investimentos. Ele lembrou que, num balanço divulgado no início de março, a prefeitura informou que o carnaval deste ano movimentou R$ 4 bilhões e atraiu 2,1 milhões de visitantes brasileiros e estrangeiros.

— O carnaval do Rio é o maior evento não só da cidade, mas do mundo. Então, imagine o impacto de seu adiamento ou mesmo cancelamento para hotéis, bares, restaurantes e toda a indústria ligada ao turismo, incluindo agentes de viagens, guias, fornecedores... A indefinição é o pior cenário. Não tenho qualquer dúvida que realizar a festa em fevereiro é totalmente inviável, barracões de escolas de samba estão desativados. Mas por que não programá-lo para a Semana Santa, em abril? Vamos adiar e continuar trabalhando a realidade do dia a dia até lá, imaginando, logicamente, que surgirá uma vacina — disse Lopes, que ainda vê com bons olhos a realização dos desfiles em julho, no período de férias escolares.

O Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro, que tem dez mil estabelecimentos associados, também manifestou preocupação. O período de carnaval é o mais lucrativo para o setor, que, no ano passado, movimentou R$ 9 bilhões.

— Esperamos que a situação se defina, pois o carnaval proporciona uma receita que faz a diferença no segmento — afirmou Fernando Blower, presidente do sindicato.

À frente da Liesa, Jorge Castanheira se reuniu com os representantes das 12 escolas do Grupo Especial na noite de terça-feira. No encontro, ficou decidido que a realização do carnaval em fevereiro está condicionada ao surgimento de uma vacina contra a Covid-19. Mas a possibilidade de definição de uma nova data para a festa em 2021 será discutida daqui a dois meses.

— Se não houver vacina, não teremos como fazer o evento. Carnaval é aglomeração. Jogo de futebol pode acontecer sem plateia, prova de Fórmula 1 também pode ser realizada sem público, mas um desfile de escolas de samba precisa de gente, na pista e nas arquibancadas. Aguardaremos avaliações de especialistas em saúde e governantes — frisou o presidente da liga.

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