Carnaval 2022: reis de bateria, bicheiro Castor de Andrade enaltecido e tensão em escola de Niterói marcam primeira noite da Série Ouro

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Na reabertura do sambódromo após o período sem desfiles devido à pandemia, as escolas de samba da Série Ouro, o antigo grupo de acesso da folia carioca, entram na Avenida na noite desta quarta-feira buscando um lugar ao sol — ou melhor, na atenção do público e dos jurados que podem levá-las à elite do carnaval — com apostas que vão do enaltecimento do contraventor Castor de Andrade à coroação de reis de bateria, que vão dividir os holofotes com rainhas de comunidade. A festa ainda nem começou, no entanto, e já surge a primeira tensão no ar, com componentes da Acadêmicos do Cubango preocupados com a demora na entrega das fantasias para atravessar a Passarela.

Antes de saber se dará tempo de tudo terminar bem com a agremiação de Niterói, a primeira a se apresentar é (coincidentemente) a Em Cima da Hora. Escola que fez sucesso nos anos 1970 e 1980 com alguns dos melhores sambas da época, será a que estreará também com seu rei de bateria, Jorge Amarelloh. Os desfiles, portanto, começam e terminam com homens reinando à frente dos ritmistas, porque o outro rei da noite é o cearense Juarez Souza, que aos 36 anos debuta na Acadêmicos do Sossego, última a ir para a Avenida. Ele é de Fortaleza, onde estuda Medicina e é maquiador profissional. E conta como foi conciliar sua rotina no Nordeste com os ensaios no Rio.

— Com a mudança de data dos desfiles (para abril) tive que reorganizar minha agenda para não perder nada na faculdade e conseguir estar presente nos principais eventos da escola no pré-carnaval — diz ele.

Se com Jorge e Juarez o frio na barriga é por serem pioneiros num cargo que, em geral, é de musas famosas e mulheres empoderadas das comunidades, para a ex-porta-bandeira Patrícia Costa o arrepio na espinha será para aprontar todos os detalhes para o desfile. É ela a presidente da Acadêmicos do Cubango, segunda escola a pisar na Avenida na noite. Quando for a vera, no entanto, promete, estará tudo resolvido.

— Tivemos um pequeno atraso de horário, mas é carnaval e atrasos acontecem! Questão de logística apenas — afirmou ela nesta tarde, negando também que possa entregar o cargo após o desfile.

Já com preparativos aparentemente mais tranquilos, a Unidos de Bangu será a sexta a desfilar. Da escola da Zona Oeste, porém, vem outra das que devem ser as polêmicas da noite: a homenagem ao bicheiro Castor de Andrade. “Nos trilhos da história, a voz sem pudor / Um homem pra sempre lembrado por ser benfeitor” é o que se cantará em um dos trechos do samba para lembrar o contraventor, cuja morte, em 1997, desencadeou uma guerra entre seus herdeiros. Considerado o capo da contravenção, ele foi condenado por associação criminosa e preso.

— A gente vai homenageá-lo numa perspectiva de uma pessoa que ajudou na evolução da Zona Oeste, transformando o Bangu Atlético Clube num grande clube e a Mocidade Independente na potência que é. Claro que vamos falar do jogo do bicho, de uma herança que vem desde a sua avó — explicou o carnavalesco Marcus Paulo.

Nesta mesma noite em que o jogo do bicho estará solto na Sapucaí, também haverá samba exaltando a fé. Desfilam logo mais Unidos da Ponte e Unidos do Porto da Pedra, que tentam o retorno ao Grupo Especial homenageando, respectivamente, Santa Dulce dos Pobres e Mãe Stella de Oxóssi. E uma das escolas mais aguardadas é a União da Ilha do Governador, rebaixada em 2020 do grupo principal, e que desta vez vem com o enredo “O vendedor de orações”, que aborda a devoção a Nossa Senhora Aparecida.

A escola é uma das que apostaram em uma rainha de bateria da comunidade para conquistar a plateia: Juliana Souza, que substitui Gracyanne Barbasa à frente da "Baterilha". A beldade chegou à agremiação ainda no ventre da mãe, dona Maria, que, junto com o pai, Márcio André (que já foi presidenrte, diretor de carnaval e compositor da Ilha), passaram depois a levar a menina para a quadra nas disputas e eventos de samba.

— Meu amor e respeito pela União da Ilha vêm de berço. Meus pais me ensinaram a amar este chão. Eu me emociono todas as vezes que entro na escola, passa um filme na minha cabeça. Vi mulheres lindas reinando, me inspirei em muitas e, hoje, eu realizo um sonho que é de vir à frente da bateria representando todas as meninas da comunidade que, assim como eu, sonham também em um dia estar aqui. Meu pai plantou uma semente que deu frutos — diz a nova majestade da quinta escola a desfilar esta noite.

As 15 escolas da Série Ouro disputam uma vaga no Grupo Especial. Depois desta primeira noite, os desfiles continuam amanhã, com mais oito agremiações.

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