Carnaval 2022: Riotur prevê divulgar lista de blocos no dia 27; autorização para desfilar depende da PM e do Corpo de Bombeiros

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A Riotur, órgão da prefeitura do Rio que organiza o carnaval de rua na cidade, prevê que a lista de blocos autorizados para desfilar no município seja divulgada na segunda-feira que vem, dia 27. Desde o final de janeiro até meados de fevereiro, a pasta recebeu 620 pedidos de 506 blocos para desfilar em 2022. Mesmo com a autorização da prefeitura, eles vão precisar do aval da PM e do Corpo de Bombeiros para desfilar.

Nesta terça-feira, o Comitê Científico de Enfrentamento à Covid-19 (CEEC) se posicionou em um reunião ordinária recomendando que, neste momento, a Prefeitura do Rio não deve estabelecer restrições ao Carnaval 2022. Segundo o CEEC, a recomendação vai ao encontro do cenário epidemiológico da capital, que está com 80% de cobertura vacinal atual. A decisão se haverá ou não o carnaval está prevista para o dia 15 do mês que vem, em uma reunião com o governador do Rio, Claudio Castro, e o prefeito da cidade, Eduardo Paes.

Em entrevista ao GLOBO, o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, que representa o comitê do município, disse que os blocos de rua poderão sair sem qualquer medida sanitária adicional, valendo as regras atuais, que dispensam máscaras em áreas públicas.

Com a movimentação positiva para que haja o carnaval em 2022, representantes do setor se animaram para a festa. No entanto, afirmam não deixar de lado o plano B, caso o cenário epidemiológico piore. Rita Fernandes, presidente da Associação Independente de Blocos de Carnaval de Rua da Zona Sul, Santa Teresa e Centro da Cidade (Sebastiana), Rita Fernandes, representa pelo menos dez blocos de rua do Rio. Segundo ela, é possível pensar no cortejo hoje e, caso haja mudança no cenário epidemiológico, o plano B também existirá.

— Nós confiamos absolutamente no comitê. Quem define as regras que vamos seguir são eles. Se o comitê afirmasse hoje que seria possível desfilar, desfilaríamos — diz ela, ressaltando que pode existir um plano B: — (se algo mudar) vamos pensar no plano B, com festas fechadas ou apresentações, mas jamais será carnaval de rua.

Para ela, é possível aguardar a definição sobre os desfiles dos blocos de rua até o dia 20 do mês que vem.

Na mesma linha que Rita, o presidente da Liga do Zé Pereira, Rodrigo Rezende, diz que vê com otimismo o anúncio:

— Desde o começo, estamos seguindo a medicina. Se ela aprovar, a saúde mental vem em segundo lugar. O carnaval é importante também. Estamos nos preparando para que haja carnaval, com o pedido de autorização. Contratações e outras coisas ficarão mais para frente.

Presidente do Bola Preta, mais tradicional agremiação do carnaval de rua do Rio, Pedro Ernesto Marinho, diz que tem a mesma posição das ligas carnavalescas: seguir as orientações da comunidade científica.

— Com a decisão do Comitê Científico, vamos sair. O problema agora é buscar patrocinadores, porque todo mundo estava à espera de uma posição oficial. Estamos com a sede fechada (na Rua da Relação, no Centro) desde 26 de fevereiro de 2020, sem gerar receitas. Com isso, não temos recursos, nesse momento, para promover o desfile (no sábado de Carnaval, pela Avenida Presidente Antônio Carlos) — disse Pedro Ernesto.

Ele calcula precisar de R$ 300 mil para botar o Bola Preta na rua. Esses recursos pagarão estruturas como cinco trios elétricos, 200 seguranças, entre outros itens.

Por parte da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), o presidente Jorge Perlingeiro diz esperar que, com a vacinação, sequer haja necessidade de exigências mais restritivas no Carnaval. No entanto, ele antecipa medidas que pretende pôr em prática para tentar evitar que componentes das escolas entrem na Sapucaí sem proteção.

— Vamos orientar as escolas para que só entreguem as fantasias mediante a apresentação pelo componente do comprovante da vacina. Essa orientação também valerá para as alas comerciais (que vendem fantasias ao público em geral) — disse o presidente da Liesa.

Há também um plano B, na eventualidade de não serem permitidos eventos abertos, com público, sem controle prévio.

— Aí faríamos apenas o último ensaio, quando testamos também os sistemas de som e luz. Mas estou otimista. Quem sabe, nem precisemos do passaporte da vacina com o aumento do número de pessoas protegidas — argumenta Perlingeiro, dizendo que, por enquanto, não está preocupado com a variante Ômicron, que teve o primeiro caso confirmado no Rio nesta semana.

Perlingeiro acrescentou que os ensaios técnicos abertos ao público em geral estão mantidos para a segunda quinzena de janeiro. O planejamento será apresentado logo após o réveillon. O presidente da Liesa diz que a data exata dependerá de quando a prefeitura entregará a Passarela do Samba para a Liesa. A Marquês de Sapucaí passa por uma série de intervenções que incluem reformas na parte elétrica e melhorias na drenagem.

— O prazo inicial é dia 15. Mas se a obra for concluída mais tarde, vamos revisar nosso planejamento. Se tivermos que cortar um fim de semana de ensaios, por noite, teremos que programar três escolas e não duas, como pensávamos — explica Perlingeiro.

Rita diz que a contratação de parte da equipe já foi agilizada, além do envio da documentação à Riotur, que organiza o carnaval na cidade do Rio, para regular os blocos da associação:

— Já agilizamos a documentação dos blocos e estamos contratando equipes de ritmistas e carro de som.

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