Carnaval da pandemia termina com mais uma noite de aglomerações em bares e ruas da Barra e do Leblon

Leonardo Sodré
·4 minuto de leitura

No último dia do carnaval, quando o Estado do Rio registrou o maior número de casos de Covid-19 desde o início da pandemia, o desrespeito às regras sanitárias tomou conta das ruas da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, e do Leblon, na Zona Sul da cidade, mais uma vez. Nem mesmo a forte presença da Polícia Militar e da Guarda Municipal foi suficiente para coibir aglomerações durante a madrugada desta terça-feira na Avenida Olegário Maciel, na Barra, e na Rua Dias Ferreira, no Leblon.

Agentes da Secretaria municipal de Ordem Pública (Seop) interditaram uma festa que reunia centenas de pessoas em uma mansão na Gávea, também na Zona Sul. A festa "Secret Sunset" acontecia desde o início da noite em uma mansão na Rua Sérgio Porto. Segundo alguns frenquentadores informaram na saída do evento, o ingresso para a noite custava R$ 1,5 mil e garantia o traslado. Foi o movimento de vans que chamou a atenção de agentes da Seop. A fiscalização chegou ao imóvel algumas horas depois do início do evento.

Na Avenida Olegário Maciel o movimento dos bares não respeitava qualquer isolamento, nem a regra básica do uso de máscaras. Muitos policiais militares e guardas municipais faziam o patrulhamento no local. Os guardas transitavam à procura de caixas de som portáteis e instrumentos musicais, vistos em grande quantidade no local pela equipe do EXTRA nas noites anteriores. Os agentes chegaram a apreender uma caixa de som. Um deles, que pedia aos frequentadores para que fizessem o uso da máscara, foi questionado por um homem aparentemente alcoolizado.

— Você não tem vergonha de fazer esse tipo de trabalho não? — perguntou, para depois ouvir o "não" do guarda.

Na esquina da Rua Dias Ferreira com a Avenida Ataulfo de Paiva, as aglomerações vistas durante todo o feriado prolongado se repetiram na última noite. A forte presença de guardas municipais no local garantiu uma melhor circulação para os veículos do que nos dias anteriores. No entanto, o que se viu nas calçadas eram mesas, cadeiras com pessoas sentadas, muitas outras em pé e quase nenhum distanciamento.

As ações conjuntas da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) para coibir aglomerações durante o carnaval resultaram, nesta terça-feira, na interdição de três estabelecimentos, incluindo o Alto Vidigal Bar e Lounge, que promoveu uma festa na que começou na noite de segunda-feira e foi até de manhã desta terça. A ação na comunidade só foi possível por conta do apoio da UPP Vidigal. No local, fiscais do Instituto de Vigilância Sanitária também autuaram o Bar da Laje e o Hotel Brisa Mirante, no Mirante do Arvrão, ambos por falta de licenciamento e o primeiro por pessoas fumando, totalizando R$ 10,6 mil em multas. No Alto Vidigal, que foi interditado por falta de documentação, a ausência de responsáveis impossibilitou formalização de autos de infração, segundo a Seop.

Ainda nesta terça-feira, outros dois estabelecimentos foram interditados no Anil, na Zona Oeste, por falta de documentação: o Espaço Laduma, na Estrada de Jacarepaguá, que havia programado um baile infantil de carnaval, e o Espetto Carioca, na mesma via, que divulgava o evento “Espetto Folia”. De acordo com a Seop, no momento da fiscalização, não foram constatadas aglomerações.

Os comboios da Seop, com a Guarda Municipal e o Instituto de Vigilância Sanitária, e o apoio da Polícia Militar, também percorreram pontos da Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes, ainda na Zona Oeste. Além das três interdições, foram realizados nove autos de infração ao todo (quatro na Barra, dois no Anil e três no Vidigal). Na fiscalização do comércio ambulante, a Coordenadoria de Controle Urbano da Seop apreendeu 14 bebidas em garrafas de vidro, cinco botijões de gás e duas moendas de caldo de cana nas orlas das zonas Sul e Oeste.

Desde a sexta-feira, foram contabilizadas 83 inspeções sanitárias, com 30 interdições e 63 infrações em estabelecimentos por aglomeração e descumprimento de outras medidas de saúde, além da falta de licenciamento. Durante as ações conjuntas, a Coordenadoria de Licenciamento e Fiscalização da Seop também registrou 59 vistorias, com 24 notificações, entre autuações e interdições administrativas, por falta de alvará e excesso de mesas e cadeiras. No mesmo período, mais de 100 ambulantes foram fiscalizados e 19 multados. Somando as bebidas apreendidas por diversas irregularidades, foram mais de cinco mil unidades, a maioria alcoólica. Já equipamentos de som foram 35 ao todo.