Conselheiro da BRF espera que "desvios de conduta" sejam apurados pela PF

Kelly Oliveira - Repórter da Agência Brasil

O conselheiro do grupo BRF Foods, Luiz Fernando Furlan, disse hoje (28) esperar que sejam apurados “os desvios de conduta” investigados na Operação Carne Fraca, da Polícia Federal. O Grupo BRF Foods é dono das marcas Sadia e Perdigão.

Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do governo Lula, Furlan esteve reunido com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, em Brasília. Ao deixar o ministério, ele disse que a conversa foi para tratar da retomada do crescimento econômico do país.

Sobre a operação, Furlan disse que não é porta-voz do grupo e que não tem estimativa do impacto das investigações nos negócios do grupo. “A parte sanitária, eu acho que grande parte foi esclarecida pelo ministro [da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi]: não há risco à saúde pública. E a investigação que está sendo feita sobre desvios de conduta, a gente espera que seja efetivamente apurada.”

Ontem (27), Maggi afirmou que os laudos técnicos de alimentos produzidos por frigoríficos interditados após investigação da Operação Carne Fraca não indicaram nenhum risco à saúde. Os laudos foram feitos a partir de produtos recolhidos em 22 estados.

Furlan tem ainda hoje reunião, em Brasília, com o ministro da Agricultura. “Vou agradecer pelo excelente desempenho que ele teve liderando uma reação rápida, conseguindo reabrir mercados internacionais porque, como sabem, a atividade do setor é muito relevante no interior do Brasil e também para a balança comercial brasileira”, disse.

Metas da operação

A Operação Carne Fraca tem como objetivo desarticular um esquema de corrupção envolvendo fiscais agropecuários a serviço do Ministério da Agricultura e donos de frigoríficos no Paraná, em Minas Gerais e Goiás.

A Polícia Federal afirma que os fiscais investigados na operação recebiam propina das empresas para emitir certificados sanitários sem fiscalização efetiva da carne e que o esquema permitia que produtos com prazo de validade vencido e com composição adulterada chegassem a ser comercializados. De acordo com a operação, eram usadas substâncias para “maquiar” a carne vencida.

Inicialmente, três frigoríficos tiveram a comercialização de produtos suspensa: a unidade de Mineiros (GO) da BRF, onde é feito o abate de frangos, e as unidades de Jaraguá do Sul (SC) e Curitiba (PR), onde são produzidos embutidos (mortadela e salsicha), da Peccin Agro Industrial. Ontem, o Ministério da Agricultura anunciou a interdição de mais três frigoríficos dos 21 investigados: o Souza Ramos, em Colombo, e Transmeat, em Balsa Nova, ambos no Paraná.