Carne suína: entenda os motivos da alta de 30% no preço em 12 meses

Ana Clara Veloso
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Foto: Hudson Pontes
Foto: Hudson Pontes

A desvalorização do real frente ao dólar — que mesmo em queda, por conta da espera pela definição da eleição nos Estados Unidos, fechou em R$ 5,54 nesta quinta-feira (5) — não impacta apenas a vida de quem quer viajar para o exterior. Aqui dentro do Brasil, a comida no prato acaba ficando mais cara por causa do câmbio. É o que acontece com a carne suína, cujo preço subiu 18,5% de janeiro a outubro deste ano, e 30,8% nos últimos 12 meses.

Os dados são do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

— A China tem comprado muita carne do Brasil. Não só a bovina, qu a gente ouve falar, mas também a suína e a aves. Além disso, a desvalorização cambial do real aumenta o interesse de outros países, porque está mais barato comprar aqui com cem dólares. Isso ajuda a ganhar novos mercados e é bom para a balança comercial, mas é ruim para a inflação, pois o mercado nacional fica desabastecido e os preços são forçados a subir — começa a explicar o coordenador do IPC/FGV André Braz.

O dólar também afeta o custo de criação dos animais. Segundo o Índice de Preços ao Produtor (IPP), da FGV, o preço da soja em grão já subiu 80,7% no ano e 88,6% nos últimos doze meses. O do milho subiu 50,2% no ano e 78,7% em doze meses. E o custo do farelo da soja, que é um derivado, subiu 65,6% no ano e 77,7% em 12 meses.

— O custo da produção do porco aumentou mais de 50% em um ano. Isso porque, com o real desvalorizado, a exportação de milho e de soja, que são a base da ração desses animais, cresceu muito e eles ficaram mais caros para o mercado interno. Além disso, a importação de produtos importantes para a criação, com vacinas, ficou mais cara — explica o consultor de varejo Marco Quintarelli, apontando o resultado no bolso do consumidor: — No mercado, o quilo da carne suína está custando, no mínimo, R$ 20. Até o fim do ano passado, girava em torno de R$ 16.

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Sem melhora da moeda nacional, os especialistas não veem sinal de que o preço da carne suína possa cair até o Natal ou mesmo no início do ano que vem.

— O preço dessas carnes ainda tem potencial de subir mais, pois há risco de novas desvalorizações cambiais. O Brasil não resolveu seu problema fiscal. Falta estratégia para aumentar o aumento do gasto público. E esse é um problema que tem influenciado muito as cotações da moeda frente ao dólar — pontua Braz.