Unesco condena impunidade de assassinatos de jornalistas

Jacarta, 3 mai (EFE).- A diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, condenou nesta quarta-feira a impunidade dos assassinatos de jornalistas e se comprometeu a combatê-la mediante a formação de juízes e das forças de segurança.

"Em 9 de 10 casos ainda, não há uma investigação formal, ou se há, não é possível encontrar os culpados", indicou Bokova em uma coletiva de imprensa em um ato da Unesco em Jacarta por causa do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.

"Não só denuncio que um jornalista é assassinado. Condeno e peço às autoridades dos países respectivos que investiguem o problema da impunidade", acrescentou a diretora-geral da Unesco.

Segundo a Unesco, 102 jornalistas foram assassinados em 2016 por causa do exercício de sua profissão.

O ato em Jacarta, com a lema "Mentes críticas para tempos críticos: o papel dos meios para o avanço para sociedades mais pacíficas, justas e inclusivas", inclui conferências e discussões sobre a liberdade de imprensa.

O vice-presidente da Indonésia, Jusuf Kalla, assegurou durante a inauguração do evento que em seu país "a democracia funciona bem e a liberdade de imprensa se desenvolve amplamente, o que não acontece em muitos países".

Perguntado sobre a liberdade de imprensa na região ocidental indonésia de Papua Ocidental, onde existe um conflito separatista, Kalla defendeu que a região tem as mesmas liberdades que o resto do arquipélago.

No entanto, a Aliança de Jornalistas Independentes (AJI, em indonésio) denunciou durante uma das conferências que a região de Papua ocidental "continua restringida" sob o Governo do presidente de Indonésia, Joko Widodo.

No último ano, a AJI registrou 72 casos de violência contra os jornalistas em Papua Ocidental e denunciou que só 15 jornalistas estrangeiros puderam chegar à região entre 2015 e começo de 2016.

Durante o evento em Jacarta será realizada a entrega do 20° prêmio Guillermo Cano da Unesco ao jornalista eritreo Dawit Isaak, que permanece detido na Eritréia desde 2001.

Mais de 1,2 mil participantes de diferentes setores do jornalismo foram credenciados para o ciclo de conferências em Jacarta que se prologará até quinta-feira e que foi precedido por dois dias de oficinas. EFE