Carolina Dieckmann, Claudia Ohana e mais atores de 'Vai na fé' falam sobre o significado da fé em suas vidas

No próximo dia 16, uma nova trama chega à telinha, no horário das 19h. “Vai na fé”, criada e escrita por Rosane Svartman, traz histórias de amor, família e, sobretudo, uma mensagem de esperança. Vivendo sua primeira protagonista, Sheron Menezzes destaca justamente a importância desse tema:

— A novela, com esse nome, vem num momento importante, em que a gente precisa voltar a ter fé. Para acordar e tocar o dia, trabalhar, colocar as crianças na escola... Cada um na sua fé.

O nome de sua personagem, aliás, é o mesmo da irmã da atriz: Sol. E Sheron reforça ainda mais uma característica especial a partir de seu papel, que é a representatividade na televisão:

— É muito gostoso ver a Sol como uma mulher que tem seus problemas, mas levanta com sorriso no rosto, trabalha, ajuda a mãe, pega ônibus, faz show... Faz tudo como muitas mulheres no seu dia a dia. É importante as pessoas ligarem a televisão e se identificarem de uma forma positiva. E quando falo de tantas nós, estou falando, principalmente, de mulheres e famílias pretas.

A partir do próprio nome do folhetim, outros artistas do elenco contam o que a fé significa em suas vidas e como lidam com ela, apesar das adversidades. Confira!

Carla Cristina Cardoso

“Tenho uma família muito mistureba: um ‘paidrasto’ testemunha de Jeová, irmã e cunhado que casaram na Assembleia de Deus, duas avós falecidas umbandistas e tia candomblecista, falecida também. E eu sou espírita. Minha avó e minha tia me ensinaram que independentemente da religião, nenhuma funciona sem fé, ela é o que move tudo. Eu tive a vida inteira sempre alguém testando minha fé. Minha mãe, que era católica, falou: ‘Quando as pessoas disserem que você não pode, é porque está no caminho certo’. Então, para mim, fé é a cabeça sã, a força, é não ouvir o negativo e seguir em frente”.

Carolina Dieckmann

“Eu tenho muita fé no amor. É o que me faz levantar, escolher um trabalho, construir a minha casa, mexer nos meus papéis, escrever, cantar, pintar, atuar. Amo as coisas, as pessoas com quem me relaciono. Observo isso ao meu redor o tempo inteiro, é isso que me chama atenção na vida. Fé, acima de tudo, é muito particular. Eu sou essencialmente ecumênica, acho tudo possível. Mas o que me move é a fé no amor”.

Che Moais

“Fé, já diria Gil, é ‘refazenda’. Acho que não está nem no dicionário essa palavra. Mas quando se fala em refazer, é o direito de errar, consciente ou inconscientemente, mas numa busca. E, com isso, construir sua elevação, seja física, mental, social ou psicológica. A fé é plural, acredito que seja tudo isso”.

Claudia Ohana

“Eu tenho fé em muitas coisas, acho que ela é fundamental. Fé é você realmente acreditar em alguma coisa: em você, na vida, na sorte. E eu sou muito plural nesse sentido, sou muito mesclada. Acendo uma vela, toco um tambor, vou na igreja... E tudo isso faz parte de mim. Minha personagem trabalha com rituais xamânicos, coisas holísticas, e eu amo. E acho importante porque a fé te traz coragem, felicidade”.

Elisa Lucinda

“Se eu dissesse que queria viajar, por exemplo, minha mãe, que tinha uma fé inabalável, falava: ‘Queria? Você trabalha, tem saúde... Você quer!’. E meu pai dizia uma frase: ‘Caminhamos para o inédito’. Isso me dava um pouco de medo e ao mesmo tempo acionava a potência criadora da minha fé. A fé é um meio de disposição para construir o caminho todos os dias. Gosto muito do candomblé, da filosofia dos orixás. É uma cultura que te põe ligado e, principalmente, em contato com a natureza, que para mim é a maior competência do sagrado que existe. O grande sagrado é a existência, é estarmos aqui”.

Samuel de Assis

“Tem uma frase da minha mãe de santo que me persegue muito. Ela diz: ‘O universo não entende o não’. E isso define um pouco a fé, porque para mim é isso, é acreditar. Eu nunca pude não ter fé porque se eu não tivesse, se eu não acreditasse em mim, não estava vivo mais hoje. Porque ninguém nunca acreditou. Então, ter fé é ter esperança em si e também no outro, e é o que nos faz caminhar”.

Zé Carlos Machado

“Fé é acreditar na vida. Eu adoro determinados rituais. Entro em igreja católica, evangélica, tenho familiares espíritas, do candomblé, um filho que é umbandista, frequento grupos xamânicos indígenas... São vários os caminhos da morada de Deus. Mas Ele não está lá, está dentro de mim. É fundamental que a gente acorde de manhã e tenha fé. A gente pode ter sangrado, perdido — e nunca se perdeu tanto nos últimos tempos como com essa doença e com a indiferença estabelecida nesse país nos últimos anos. Tem muita dor. Então quando vejo que, no fim do dia, temos cicatrizes, é porque nós somos guerreiros, e isso é digno de fé. Viver é digno de fé”.