Carolina Dieckmann: 'Continuo mandando nudes para o Tiago'

Com um coque no alto da cabeça, cara lavada e visual despojado, Carolina Dieckmann gesticula bastante enquanto concede esta entrevista, por chamada de vídeo. Os trejeitos, ela explica, vieram ao observar a advogada Gabriela Prioli, sua referência para a personagem Lumiar, da novela “Vai na fé”, próxima do horário das sete da TV Globo. “Ela tem esse gestual com as mãos para falar, e peguei um pouco disso. O Direito sempre foi algo distante da minha vida, e esse tem sido um dos meus trabalhos mais desafiadores. O texto traz referências e palavras que não fazem parte do meu dia a dia”, conta.

Para compor Lumiar, uma mulher metódica e pragmática, Carol está de visual novo. Pintou os fios com um tom mel acobreado e deixou o comprimento bem mais curto. Também adotou uma prática curiosa: lavar os cabelos somente com sabonete. “Por ser muito liso, é difícil dar volume. Como o sabonete não tem emolientes, consigo essa textura, um aspecto mais rústico”, aponta. A trama de Rosane Svartman marca o retorno definitivo da atriz de 44 anos ao Brasil, após seis anos morando nos Estados Unidos. Estar de volta ao Rio, sua cidade natal, é um dos motivos de maior felicidade para Carol, que não se arrepende ao ter abdicado, momentaneamente, da carreira.

Tomou a decisão para acompanhar o executivo Tiago Worcman, seu marido há 19 anos, em uma nova etapa profissional. “Quando decidi ir, foi para valer. Valeu cada milímetro de entrega. Hoje, nossa relação é abençoada por termos ficado mais unidos, senti que cresci. Foi bom ter dado esse respiro, olhar para a minha história. Trabalho desde os 13 anos e, que bom, tive a coragem e a sorte de ter esse parceiro incrível”, revela a mãe de José, de 15 anos, seu filho com Tiago, e Davi, de 23, do casamento com o ator Marcos Frota.

Com 30 anos de carreira recém-completados, Carolina é intensa, tem opiniões contundentes e não foge de nenhum assunto. Durante duas horas de bate-papo, falou sobre o incômodo com a fama de antipática e admitiu que ainda manda nudes para o marido, mesmo após o episódio do vazamento de suas fotos nuas em 2012. Conta também como viveu o luto após a morte da mãe, Maíra Dieckmann, em 2019; o quanto acha “horroroso” ouvir que está muito bem para a idade e que, apesar de gostar, não tem tido tempo para usar vibradores. “Prefiro pele, boca, língua, abraço, amor e gozar junto. Isso pra mim é o paraíso.”

Sente que seu retorno às novelas é como um recomeço na vida e na TV? Soa mais como um reencontro. No tempo em que morei fora, fiz a novela “O Sétimo Guardião” e a série “Treze dias longe do Sol” e ficava 15 dias em cada país. Sentia que tinha duas vidas, gostava de estar aqui, mas me culpava por não estar lá. Estava emocionalmente cansada. Agora, sinto uma paz.

Você vai viver uma advogada, e mesmo sem ter familiaridade com o direito, foi criada uma lei com o seu nome após o vazamento de suas fotos nuas em 2012. inspirou-se em algo daquela época? Só me lembrei do horror que tenho de tudo isso (risos ) e que estava em guerra com a minha civilidade. Na época, eu falando que aqueles caras tinham roubado minhas fotos, e ao mesmo tempo, ficando com pena deles. Eu já tinha perdoado. Mas precisava continuar a brigar porque era o certo a se fazer.

Se isso acontecesse hoje, seria menos julgada? Sim, teria sido totalmente diferente. Tive que explicar tudo, coisas que hoje eu não precisaria, como a razão de ter mandado as fotos ao meu marido, porque tinha feito aquilo. Havia uma polícia destinada a crimes cibernéticos, mas não tinha lei. Sempre me senti um pouco vítima disso tudo. Mas continuo mandando nudes para ele. Se as fotos vazarem de novo, o que fazer? Foda-se.

Nas redes sociais, você sempre recebe elogios pela beleza. O etarismo já te atingiu ? Várias vezes. Escuto sempre: “Como você está bem para a sua idade”. É horroroso, mas também presto atenção em como julgamos o outro. Quando alguém fala algo errado com uma intenção boa, tem que ser levado em conta. Não posso julgar se eu posso errar, se estou ainda aprendendo.

Faz procedimentos estéticos? Já fiz milhões de lasers para estimular colágeno... Fiz botox uma vez, mas me achei estranha, não posso me dar ao luxo de não marcar a expressão sendo uma atriz. E tenho horror a preenchimentos! Não é um problema envelhecer, mas quero que isso aconteça da melhor forma.

Você já teve duras perdas na vida: a morte da sua mãe, um aborto espontâneo... como lida com o luto? Tinha 20 anos quando sofri um aborto, aos três meses. E é normal, mas na época não tinha tanta informação. Sofri e achei que só tivesse acontecido comigo. Já a perda da minha mãe foi a maior dor que senti. Ela morreu dormindo, teve um mal súbito. E o presente mais bonito que a passagem dela me deu foi a consciência de agradecer ao acordar todos os dias.

É à favor do aborto? Sou a favor da mulher decidir o que fazer com seu corpo e contra a banalização. Outras coisas precisam ser ensinadas: o uso da camisinha, pílula, métodos contraceptivos. Não é simplesmente ir lá e tirar.

Faz terapia? Fiz uma vez, quando achei que iria me separar do Marcos, e de fato aconteceu. A terapia é muito legal, mas me incomoda o uso como bengala. De forma alguma sou contra, mas ninguém quer se frustrar, sentir dor. Todos os dias antes de dormir eu penso, me julgo e me critico. Você tem que tentar enfrentar o que é possível. Hoje, para tudo se toma um remédio. Isso, muitas vezes, pode ser um escapismo.