Carona solidária: cantor leva idosos a postos de vacinação gratuitamente

Alex Braga*
·2 minuto de leitura

RIO — Preocupado com as dificuldades que muitos idosos carentes enfrentam para chegar aos postos de vacinação, o cantor de pagode Orlando Bendelack de Oliveira, de 34 anos, está organizando caronas voluntárias nos bairros de Guaratiba, Recreio e Campo Grande, onde mora.

Conhecido artisticamente por Dinho Bendelack, o cantor divulgou a ação solidária nas redes sociais, e a postagem teve grande repercussão, alcançando dois mil compartilhamentos em um dia. Para Dinho, que tem uma média de cem curtidas e quatro compartilhamentos para cada vídeo publicado, o sucesso se deve ao momento difícil que estamos passando:

— Acredito que a viralização é o resultado da necessidade de acreditar em dias melhores, porque boas ações e o sorriso de um "vovozinho" podem nos trazer a esperança que muitas vezes está perdida — diz.

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Atualmente sem emprego formal, Dinho complementava a renda como motorista de aplicativo. Porém, com as medidas de distanciamento, ele teve seu poder aquisitivo reduzido drasticamente. O difícil momento aguçou a sua empatia com os mais vulneráveis:

— Eu me reinventei, estou trabalhando com pipas. Tenho saúde para correr atrás. Meus pais são idosos e podem contar comigo, mas penso nos idosos que não têm as mesmas condições. Corta o coração vê-los sozinhos no mercado, nas ruas; eles podem pegar o coronavírus e morrer — lamenta.

Uma das primeiras pessoas beneficiadas pela carona solidária foi Maria Rizalva Silva de Aquino, de 89 anos, cadeirante e com Alzheimer em estágio avançado. Segundo a filha, Sandra Lourenço, essa ação foi bastante oportuna, pois ela depende do serviço de transporte por aplicativo e muitos motoristas se recusam a levar pessoas em cadeiras de rodas alegando terem veículos pequenos:

— Achei linda a atitude do Dinho. Tenho que agradecer muito a Deus e a ele, porque até na própria família pessoas com carro não tiveram essa disponibilidade.

A iniciativa de Dinho Bendelack se espalhou, criando uma corrente do bem. Leandro de Andrade, um amigo de infância do cantor, também fez uma postagem similar nas redes sociais. O engenheiro civil sentiu que essa poderia ser uma oportunidade de voltar a realizar trabalhos voluntários, já que seu engajamento diminuiu com as medidas de distanciamento social.

— Ajudar o próximo já está na minha rotina, sempre me envolvi e me preocupei com o próximo. Levar outras pessoas para tomar a vacina é, para mim, a oportunidade de transformar algo ruim em crescimento — diz Leandro.

Modesto, Dinho diz que sua contribuição é pouca, mas sabe que ela pode ajudar a gerar resultados imensos:

— É rapidinho, um pouquinho, não custa muito dinheiro e faz bem ao próximo. Se todo mundo se propuser a ajudar, o mundo vai ser melhor — afirma.

*Estagiário, sob a supervisão de Leticia Helena

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