Carpete urinado e quadros rasgados: relatório do Senado detalha destruição deixada por golpistas; veja as fotos

Cinco dias após os atos terroristas de 8 de janeiro, o mau-cheiro ainda está impregnado no Senado Federal. O imenso carpete do Salão Azul e tapeçarias históricas foram molhadas com água e urina. As marcas dos vândalos também ficaram expostas nos quadros de ex-presidentes da Casa. O retratos de José Sarney, Renan Calheiros e Ramez Tebet, em pintura à óleo e dispostos no Salão Nobre, foram rasgados e quebrados.

O cenário de destruição causado por vândalos apoiadores radicais do ex-presidente Jair Bolsonaro está detalhado em um relatório feito pela Diretoria-Geral do Senado, que estima um prazo mínimo de 40 dias para os reparos dos danos materiais. O valor total dos danos que puderam ser estimados é de R$ 3,5 milhões, segundo levantamento feito no dia seguinte aos ataques.

O custo real dos ataques que destruíram móveis históricos e obras de arte, porém, é tratado como “inestimável” pela perícia.

Já os danos físicos e estruturais somam R$ 2 milhões, com a destruição de vidros e espelhos no edifício principal do Senado, bem como nos Anexos I e II. O Salão Azul, revestido de carpete e que dá acesso ao plenário, ao gabinete do presidente da Casa e Secretaria Geral da Mesa, foi alagado, urinado e estragado por substâncias químicas.

No Salão Negro, espaço onde ocorrem solenidades, os pisos foram manchados. A vistoria também verificou persianas queimadas, pedras de mármores na rampa de acesso quebradas e pichações na cúpula do Senado. Em uma delas, golpistas pedem a intervenção das Forças Armadas: “SOS FFAA”.

Os vândalos também destruíram poltronas, sofás, bancadas, púlpito, mastros, mesas, porta-livro, extensor e vitrine para exposição. No plenário, microfones utilizados pelos senadores nas bancadas foram destruídos e cabos de carregador de aparelho celular roubados, por exemplo. A estimativa é que os prejuízos mobiliários e materiais somem R$ 56 mil.

No Museu Itamar Franco, localizado no Salão Branco, a perícia verificou avarias graves em obras de parte e peças do acervo cultural do Senado. A avaliação é que os danos ao patrimônio histórico e cultural causado por radicais bolsonaristas seja de R$ 1 milhão.

Os golpistas quebraram molduras e rasgaram pinturas e retratos de ex-presidentes do Senado, como a do ex-presidente José Sarney, Renan Calheiros (MDB-AL) e Ramez Tebet, pai da atual ministra do Planejamento Simone Tebet. Um dos retratos foi urinado. Na foto, é possível ver a foto de um retrato de Calheiros, presidente da Casa por duas vezes, jogado ao chão diante do quadro “Assinatura da Primeira Constituição” de Gustavo Astoi, que também foi danificado inferior.

“Um tapete persa vermelho foi molhado e urinado; um quadro de Guido Mondin, localizado na recepção da Presidência, foi arrancado da moldura e contém cacos de vidro na pintura; uma cadeira do Plenarinho do século XIX teve o braço quebrado; uma mesa de escritório imperial do século XIX foi completamente danificada e não há possibilidade de serem identificadas todas as peças e fragmentos; e a vitrine de exposição teve o vidro superior quebrado”, descreve a vistoria.