Carro dirigido pelo jogador Marcinho, que atropelou e matou casal de professores, passa por nova perícia

Fabiano Rocha e Marcos Nunes
·2 minuto de leitura
Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

Peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli realizaram uma perícia complementar, nesta quinta-feira, no carro que no último dia 30 atropelou duas pessoas e que naquela ocasião, era dirigido pelo jogador de futebol Márcio Almeida de Oliveira, o Marcinho. O acidente ocorreu no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio, e resultou nas mortes de dois professores do Cefet/RJ.

Segundo o delegado Alan Luxardo, da 42ª DP (Recreio), que investiga o caso, o objetivo da nova perícia é o de comparar os estragos causados no Mini Cooper dirigido pelo atleta com a velocidade que veículo estava no momento do atropelamento. O exame pericial aconteceu no pátio interno da delegacia, onde o automóvel está desde que foi apreendido pela polícia.

Marcinho prestou depoimento na última segunda-feira e alegou que estava trafegando a 60 quilômetros. No entanto, o delegado Alan Luxardo diz já ter indícios que o carro estaria em uma velocidade maior.

— A pericia vem para complementar as perícias anteriores, justamente para ter uma conexão maior do estado do veículo com a velocidade empregada na hora do impacto. Os elementos testemunhais e os outros elementos que colhemos até agora dão este entendimento ( de uma velocidade maior) — disse o delegado.

O ex-jogador do Botafogo negou que tivesse consumido álcool antes do atropelamento. A defesa de Marcinho alegou que ele não socorreu as vítimas "por temer um linchamento".

Na noite desta quarta-feira, a a família da professora e coordenadora do curso de engenharia ambiental do Cefet/RJ, Maria Cristina José Soares, de 66 anos, que morreu nesta terça-feira, após ter sido atropelada ao lado do marido, Alexandre Silva Lima, de 44, entrou com um pedido de liminar para expedição de um alvará que autorize a cremação do corpo da educadora.

Segundo o advogado Márcio Albuquerque, que defende os interesses da família da professora ao lado do também advogado André Nascimento, o pedido foi feito no Tribunal de Justiça do Rio e está sendo apreciado pela Justiça. Caso a solicitação seja atendida, o corpo de Maria Cristina será cremado ainda nesta quinta-feira.

— Pela lei, em caso de morte violenta é necessária uma autorização judicial para fazer a cremação, já que isso impediria, por exemplo, uma exumação para exames complementares, se isso fosse necessário. A cremação era um desejo da professora e os filhos dela querem fazer isso, atender o desejo da mãe. Por isso, entramos com este pedido de liminar — disse o advogado.

O corpo da educadora, que morreu em um hospital particular, passou por um exame de necrópsia no Instituto Médico-Legal do Rio. O resultado do laudo ainda não foi divulgado pela polícia. Maria Cristina e Alexandre, professor de engenharia mecânica do Cefet que morreu no local do atropelamento, viviam juntos havia 12 anos.