Carro elétrico tem de ser incentivado

A venda de carros elétricos no Brasil cresceu 77% em 2021, na comparação com o ano anterior, chegando a mais de 35 mil unidades. Além de mais ecológicos, eles são mais seguros, eficientes, silenciosos e fáceis de dirigir. A manutenção e os custos também compensam, já que recarregar a bateria custa, em média, até 80% menos do que abastecer um automóvel com gasolina, com menos problemas técnicos.

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Os carros eletrificados contribuem para a melhoria da qualidade do ar. Os automóveis comuns são hoje responsáveis por dois terços das emissões de gases de efeito estufa de São Paulo, que está há mais de 20 anos com a poluição acima do nível seguro.

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Em meio a tantas vantagens, por que então eles não são incentivados? Os contrapontos à adoção são o investimento inicial alto, a menor autonomia em relação aos carros movidos a combustíveis fósseis e o abastecimento mais demorado — podem levar horas para recarregar.

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É necessária a união de forças para que a sua adoção ganhe força no Brasil. Em abril deste ano, foi criada no país a Aliança pela Mobilidade Sustentável, liderada pela 99, com a participação de empresas de diferentes áreas do setor automotivo, a fim de impulsionar essa mudança de realidade.

A meta da iniciativa, além de colocar 10 mil carros elétricos em circulação no país até 2025, é investir na infraestrutura de abastecimento, instalando 10 mil estações públicas de recarga nesse mesmo período.

A prova de que isso é possível é a cidade chinesa de Shenzhen, com 17,5 milhões de habitantes e referência nos setores de tecnologia, transporte e manufatura. Entre os resultados conquistados por lá está o aumento de veículos elétricos em circulação: 14% do total, o que corresponde a 480 mil. O mérito é da união de empresas e autoridades locais, incluindo a DiDi, proprietária da 99, num projeto desenvolvido ao longo de seis anos.

Os veículos elétricos já representam 9% do mercado mundial, segundo a Agência Internacional de Energia. Em 2021, foram mais de 6,6 milhões de unidades vendidas, totalizando 16 milhões em circulação. Parte desse crescimento se deve a leis e incentivos de governos locais, que querem frear o impacto ambiental da indústria.

No início de julho, a União Europeia aprovou a proibição da venda de novos carros com motores a combustão a partir de 2035. Pontos de recarga deverão ser instalados a cada 60 quilômetros nas principais rodovias do continente, e a alíquota mínima para gasolina e óleo diesel será aumentada.

Uma medida como essa fará que governos e indústrias se mobilizem para encontrar maneiras de viabilizar a adoção em massa de carros elétricos nos 27 países-membros da comunidade, ampliando investimentos em pesquisa e desenvolvimento, bem como oferecendo subsídios e incentivos fiscais. No Brasil, a iniciativa pública também é um importante aliado no incentivo ao uso e à infraestrutura de veículos elétricos.

É um círculo virtuoso. Empresas ligadas ao desenvolvimento e fabricação recebem mais atenção e tendem a valorizar, podendo diminuir o preço final de seus produtos. O aumento das pesquisas fará surgir modelos mais baratos, com mais autonomia e mais rápidos de recarregar.

Da mesma maneira como as empresas de transporte por aplicativo revolucionaram a mobilidade urbana, os carros elétricos revolucionarão o trânsito das cidades, tornando-o mais seguro e reduzindo a poluição sonora e atmosférica. Sua recarga depende de energia elétrica, que hoje tem múltiplas fontes. Carros elétricos são, definitivamente, a próxima revolução necessária.

*Thiago Hipolito é diretor sênior de inovação em mobilidade da 99 e líder do laboratório DriverLAB

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