De carro, evangélicos fazem Marcha para Jesus em SP

FÁBIO MUNHOZ
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SÃO PAULO, SP, 02.11.2020 -  MARCHA-JESUS-SP - Concentração de carros em frente ao Obelisco, em frente ao parque do Ibirapuera, na  zona sul da capital paulista, durante a Marcha para Jesus que, neste ano, terá um formato diferente com uma carreata solidária percorrendo as ruas da cidade. (Foto: Ronny Santos/Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 02.11.2020 - MARCHA-JESUS-SP - Concentração de carros em frente ao Obelisco, em frente ao parque do Ibirapuera, na zona sul da capital paulista, durante a Marcha para Jesus que, neste ano, terá um formato diferente com uma carreata solidária percorrendo as ruas da cidade. (Foto: Ronny Santos/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Acontece, nesta segunda-feira (2), a 28ª edição da Marcha para Jesus em São Paulo. Por conta da pandemia de Covid-19, o trajeto entre o Parque do Ibirapuera (zona sul) e o pavilhão do Anhembi (zona norte) é feito por meio de uma carreata. Nos anos anteriores, os fiéis seguiam a pé da região central da capital até a praça Heróis da FEB, também na zona norte.

A organização do evento estima que cerca de 30 mil veículos participem da carreata, que começou por volta de 13h. A concentração ocorreu a partir das 10h no estacionamento da Assembleia Legislativa, onde foi feito um ponto para o recebimento de doações de alimentos. O objetivo era arrecadar 10 mil cestas básicas, que serão distribuídas para a comunidades no dia 19 de dezembro.

Ao todo, seis trios elétricos acompanham a carreata com apresentação de bandas evangélicas e cantos de louvor. Ao fim do percurso, será realizado um show no modelo drive-in dentro do pavilhão do Anhembi. Aproximadamente 1.500 veículos deverão acompanhar o show.

Organizador da marcha, o apóstolo Estevam Hernandes, da igreja Renascer em Cristo, afirma que a carreata foi a solução encontrada para viabilizar o evento mesmo em tempos de pandemia. "A gente crê que, ao final, a dimensão da marcha [neste ano] vai ser maior do que era. Vamos fazer tipo live", avalia Hernandes.

Na opinião do líder religioso, outro diferencial da edição de 2020 é o caráter solidário do ato. "Na pandemia, estamos vendo a fome e o desespero das pessoas. Por isso estamos arrecadando os alimentos", acrescenta.

A professora Eliane Galera, 58 anos, afirmou que participa da marcha todos os anos. "Minha mãe, de 80 anos, foi curada de um câncer e prometeu que, enquanto tiver vida, virá marchar. Vim acompanhá-la, mas não vamos assistir ao show."

O instrutor teórico Walter Vilar, 56 anos, doou 20 cestas básicas. Ele acompanhou a carreata ao lado da mulher e avalia que o novo formato não diminui a fé dos participantes. "O povo tem que declarar que Jesus é salvador", completou.

"Se é para ter mais cuidado com a saúde das pessoas, é melhor assim", afirmou a dona de casa Nádia Bachmann, 40 anos, sobre a mudança na marcha em 2020.

Participação de políticos

Diferentemente de anos anteriores, não há, até o momento, a confirmação de que haverá discursos políticos, segundo a assessoria de imprensa do evento. Em 2019, Jair Bolsonaro esteve no ato e foi o primeiro presidente em exercício a participar da marcha.

O prefeito Bruno Covas (PSDB) esteve na concentração, no início da tarde, mas ficou no local por menos de dez minutos e não fez discursos.

O chefe do Executivo municipal elogiou o novo formato do evento e citou benefícios gerados pela marcha, como a geração de renda, ocasionada pela vinda de turistas, e o trabalho social. "[A marcha] celebra a diversidade que temos aqui e o respeito a toda a comunidade evangélica da cidade de São Paulo", acrescentou.

Do lado de fora da concentração, cabos eleitorais promoviam atos em favor de três candidatos a vereador: Gilberto Nascimento Jr. (PSC), Marcelo Aguiar (DEM) e Eduardo Tuma (PSDB), que atualmente é o presidente da Câmara Municipal.

Parte dos militantes ignorou os protocolos de prevenção contra o novo coronavírus. Houve aglomeração de pessoas e algumas estavam sem máscara. Questionado, Tuma disse que a orientação é para que os apoiadores sigam as normas sanitárias.

"Esse é o direito democrático dos candidatos. Eu gostaria que não tivesse essa bandeirada, mas não podemos impedir", disse o apóstolo Hernandes.

Durante a carreata, vários veículos tinham adesivos dos candidatos citados, além de bandeiras do Brasil.