Carro de luxo e dinheiro são apreendidos com quadrilha que explorava e ameaçava travestis, além de obrigar aplicação de silicone industrial, em MG

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O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) mirou, nesta segunda-feira (8), uma quadrilha investigada por acumular uma fortuna através da exploração sexual de mulheres trans e travestis em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Na Operação Libertas, foram expedidos três mandados de prisão e onze de busca e apreensão contra a organização criminosa que, segundo os promotores, criaram um monopólio de exploração destas vitimas, que sofriam graves ameaças e até agressões caso decidissem se prostituir de forma independente. Acredita-se que pessoas possam ter sido mortas pelo grupo. Foi apreendida uma grande quantia em dinheiro — ainda não contabilizada — e pelo menos um carro de luxo, um Porsche, em poder dos investigados.

Além de explorar "uma grande rede de prostituição" envolvendo travestis e transexuais, o MP afirma que os criminosos também financiavam e obrigavam que essas vítimas fizessem procedimentos estéticos clandestinamente e "de forma absolutamente ilegal". Narra a denúncia que elas tinham que colocar silicone industrial — o que é proibido e perigoso — em locais ilegais, indicados por eles, e a aplicação era feita por pessoas completamente inabilitadas. Há suspeita, inclusive, de que vitimas tenham morrido durante estes procedimentos.

As pessoas exploradas eram obrigadas a pagar diárias para que pudessem usar os pontos de prostituição dominados pela quadrilha, assim como para usar as instalações que pertenciam a eles — onde viviam ou mesmo levavam clientes. Dessa forma, destacaram os investigadores, as dúvidas assumidas eram cada vez maiores com os líderes da organização criminosa.

Um dos relatos que chamou atenção por parte de testemunhas, de acordo com o MP, foi o de uma vítima que foi coagida a se prostituir mesmo estando doente como forma de quitar suas dívidas. A exploração a essas mulheres trans e travestis, segundo apurou-se, se dava sempre com uso de violência, graves ameaças e investiga-se, também, que os criminosos tenham matado ou tentado matar vítimas.

Após a operação desta segunda-feira, as investigações continuam em andamento, sob segredo de justiça, conduzidas pelo Ministério Público de Minas Gerais. Os crimes investigados são de associação criminosa, exploração sexual, manutenção de casa de prostituição, roubo, lesão corporal, homicídio (tentado e consumado), constrangimento ilegal, ameaça, posse e porte de arma de fogo.

As investigações, segundo o MP, são fruto do trabalho em conjunto feito pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), de Uberlândia, e a 18ª Promotoria de Justiça de Uberlândia. A operação contou com a participação da Polícia Militar (9ª RPM), que empenhou 60 policiais.

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