Carro que pode ter sido usado para sequestrar empresária, em Paraty, é encontrado queimado

Rafael Nascimento de Souza

A Polícia Civil trabalha com a hipótese de bandidos terem recebido informações privilégiadas sobre a vida de uma empresária e dona de várias pousadas de Paraty, na Costa Verde Fluminense, que está sequestrada desde a manhã de segunda-feira. Horas após a mulher de 57 anos ser levada pelos bandidos, um Fiat Doblô, que a polícia acredita ter sido usado pelos sequestradores, foi encontrado em chamas na estrada Paraty-Cunha. O carro passará por perícia nas próximas horas. A vítima estaria refém de pelo menos quatro bandidos em uma ilha do município. No entanto, a 167ª DP (Paraty) não descarta a possibilidade de a mulher estar em algum sítio da região.

Dona de diversas pousadas, embarcações e uma agência de turismo, a mulher foi interceptada por pelo menos quatro homens quando chegada em uma das suas pousadas no bairro Jabaquara. De acordo com a polícia, os criminosos renderam a mulher, que estava em uma Toyota Rav 4. Testemunhas contaram que os bandidos estavam usando máscaras de borracha e portavam pistolas.

Após pegarem a mulher, os criminosos entraram na pousada e prenderam pelo menos oito funcionários em um dos quatros. Segundo o delegado Marcello Giovanni Russo, titular da 167ª DP (Paraty), todos os celulares das vítimas foram levados, assim como os HDs com imagens de câmeras de segurança da pousada. Após isso, dois bandidos levaram a mulher em seu carro e outros dois criminosos a escoltaram no Fiat Doblô.

— A Polícia Civil acredita que eles fizeram um estudo antes de sequestrar a vítima. Apuramos agora quem teria passado para esses criminosos a rotina da mulher — disse o delegado.

Segundo as investigações, horas após ser sequestrada, um dos filhos conseguiu falar com a mulher que disse que não era para o filho envolver a polícia ou ela seria morta e que os criminosos queriam dinheiro.

— Os familiares ainda não entraram em contato com a polícia. Acreditamos que eles estão com medo pelo fato de os bandidos esteram ameaçando a empresária — disse o delegado.

Marcello Giovanni Russo afirma que a polícia já tem informações que poderão levar a prisão dos criminosos. No entanto, afirma que não pode passar muitos detalhes para não atrapalhar as investigações. Sobre a possibilidade de a mulher estar em uma ilha, Russo afirma que é prematuro a afirmação. A Polícia Militar recebeu informação de que a empresária está sendo mantida em cativeiro em uma ilha do município. 

— Há essa possibilidade de ela estar em uma ilha. No entanto, não descartamos a possibilidade de ela estar em outro local. Há muitas especulações sobre esse fato — salientou o delegado.

Paraty foi reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco em julho deste ano. A cidade recebe inúmeros eventos culturais anualmente, um deles a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), conhecida mundialmente.