Cartão corporativo: Saiba como governo Bolsonaro gastou mais de R$1,5 milhão com motociatas

O governo Jair Bolsonaro (PL) gastou mais de R$1,5 milhão no cartão corporativo em dias em que o ex-presidente participou de motociatas — apelido que batizou seus passeios de moto com apoiadores pelo Brasil. As maiores despesas foram com hotéis nas cidades das excursões, alimentação, serviço logístico e gasolina.

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Chamam atenção na fatura da gestão passada alguns gastos elevados nos dias dessas motociatas. Apenas em sua passagem por Porto Alegre, onde passeou por cerca de duas horas e fez um discurso ligando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Roberto Barroso à pedofilia, Bolsonaro gastou R$ 103 mil. Somente com hospedagem foram gastos R$74 mil somando sua estadia na capital com o hotel de luxo em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, por onde ele também passou na viagem.

Quando passeou de moto em São Paulo desrespeitando medidas contra a pandemia, em junho de 2021, o ex-presidente gastou mais de R$60 mil em hospedagem no hotel Blue Tree Premium, que fica na avenida Faria Lima.

Em outra passagem sobre duas rodas pela capital paulista, foram debitados no mesmo dia seis valores iguais de R$9.500 em compras na lanchonete Tony e Thais, que fica na Moema. Com mais uma nota de R$5.206, o total gasto neste restaurante foi de R$62.206 no dia 15 de março de 2022.

Gastos de Bolsonaro em Motociatas:

Hospedagem: R$865.787

Alimentação: R$580.181

Apoio logístico: R$ 36.047

Gasolina: R$18.691

Aos desfilar por Natal, capital do Rio Grande do Norte, em março de 2022, o ex-presidente gastou mais de R$30 mil em um serviço de entrega de comida da cidade. Já em Cuiabá, no Mato Grosso, ele fez uma compra de R$21,7 mil numa padaria chamada America.

No total, em dias de motociatas ocorridas ao longo dos últimos quatros anos, Bolsonaro gastou R$865 mil com hospedagem, R$580 mil com alimentação e R$ 36 mil em apoio logístico. Essas despesas são apenas as contabilizadas no cartão corporativo. Elas não incluem outros gastos dos cofres públicos com os passeios de moto, como em passagens aéreas e a mobilização de esquemas de segurança dos governos dos estados.

Com gasolina foram despendidos R$18.691. Deste montante, R$ 1.895 foram gastos numa única nota de um posto de gasolina na cidade de Rio Verde, em Goiás.

Quando passeou de moto em São Paulo, em abril de 2022, foram debitadas no mesmo dia do cartão corporativo 24 pagamentos de abastecimento de combustível com faturas que variaram de R$32 até R$1.077.

O detalhamento dos gastos no cartão de Bolsonaro foi revelado na última quarta-feira pela Secretaria-Geral da Presidência, após um pedido de Lei de Acesso à Informação da agência "Fiquem Sabendo". No total, foram gastos R$27 milhões ao longo dos últimos quatro anos.

Aumento em ano eleitoral

Bolsonaro começou a fazer suas motociatas ainda durante a pandemia, entre os anos de 2020 e 2021. Com a proximidade das eleições presidenciais em 2022, ele passou a usar dos passeios como uma estratégia eleitoral. Dos 54 eventos desse tipo encontrados pelo levantamento do GLOBO, 42 foram no último ano.

O ex-presidente passou a aparecer nas motos com aliados que foram candidatos e lhe deram palanque na campanha. Além disso, passou a usar as imagens das aglomerações de motociclistas para questionar as pesquisas de intenção de voto, onde aparecia atrás de Liuz Inácio Luda da Silva (PT).

Partidos de oposição chegaram a acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acusando Bolsonaro de fazer campanha antecipada com as motociatas. Em setembro, ele chegou a ser multado pelo evento feito em Cuiabá, em abril.