Cartórios de Niterói resgistram 287 mortes por suspeita ou confirmação de Covid-19

Giovanni Mourão

NITERÓI — Desde o início da pandemia do novo coronavírus até ontem (20), os cinco cartórios de registros civis de Niterói registraram 287 mortes confirmadas ou por suspeita de Covid-19. Os dados são do Portal de Transparência do Registro Civil, administrado pela Associação Nacional dos Cartórios (Arpen Brasil).

A entidade não contabiliza apenas as mortes de moradores Niterói, mas de todos que tiveram seus óbitos registrados nos cartórios da cidade, independentemente do município onde mora. Portanto, o total de óbitos computados pela prefeitura de Niterói — até ontem eram 82 — tende a ser divergente do que aparece no Registro Civil. É o que explica o vice-presidente da Arpen, Luís Carlos Vendramin Júnior:

— Por regra, o registro de óbito é feito no município onde ocorre o falecimento. Então, se a pessoa morreu em Niterói, mesmo sendo de uma cidade vizinha, um cartório do município deve fazer esse registro. A partir de então, os cartórios informam as mortes ao Ministério da Saúde, que as repassam aos Estados e estes, aos municípios onde aquela pessoa morava.

Segundo Vendramin Júnior, as certidões podem ser alteradas caso o paciente tenha morrido antes do resultado do exame para Covid-19 ficar pronto, mas isso raramente ocorre:

— Com o exame comprobatório em mãos, a família pode ir ao cartório solicitar a retificação do registro e a emissão de uma nova certidão, tanto para confirmar quanto para descartar a doença. Mas é muito raro algum familiar ir até o cartório pedir que se altere a causa da morte.

O Portal de Transparência da Arpen também contabiliza o número de mortes causadas por outras doenças respiratórias. Do dia 16 de março até ontem, havia sido registrada a morte de 15 pessoas por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) na cidade, contra duas no mesmo período de 2019. Também foram anotados 12 óbitos por causa indeterminada (ligados a doenças respiratórias) durante a pandemia, contra nenhum caso no mesmo período do ano passado.

Para Alberto Chebabo, infectologista do Hospital Universitário Clementino Fraga, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), provavelemente, quase todas as mortes registradas como SRGA e causa indeterminada são subnotificações de Covid-19:

— Todos os óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave deveriam estar incluídos como suspeita de Covid. Essa é a regra que vem sendo utilizada e, portanto, esses casos foram subnotificados.

O Portal da Transparência do Registro Civil é atualizado da seguinte forma: a família tem até 24 horas após o falecimento para registrar o óbito em cartório que, por sua vez, tem até cinco dias para efetuar o registro de óbito, e depois até oito dias para enviar o ato feito à Central Nacional de Informações do Registro Civil, que atualiza a plataforma.

Ocupação de leitos cai para 68%

No dia 30 de abril, em live realizada em rede social da prefeitura de Niterói, o prefeito Rodrigo Neves chegou a pedir para que hospitais particulares priorizassem o atendimento aos moradores de Niterói por meio de uma reserva técnica de vagas, uma vez que, segundo ele, "em alguns hospitais privados, mais da metade dos leitos está ocupada por gente de fora".

O Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Casas de Saúde de Niterói e São Gonçalo (Sindhleste) confirma que, de fato, até abril, a rede particular de saúde em Niterói estava recebendo uma demanda muito grande de pacientes de outros municípios, cenário que começou a se alterar este mês após a ampliação de leitos na rede privada de outros municípios e da abertura dos hospitais de campanha.

De acordo com o Sindhleste, na última terça-feira (19), o índice de ocupação dos leitos de UTI nos dez hospitais da rede privada de Niterói que atendem pacientes com Covid-19 estava em 68%, contra os 83% apurados na terça-feira anterior (12) e os 94% registrados no mesmo dia da semana retrasada (5). Em relação aos leitos em quartos, a ocupação também caiu no período: estava em 80% há três semanas, passou para 69% e agora está em 65%.

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