Carta de Lula dá o tom que petista quer levar ao debate, dizem aliados

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 24.10.2022 - O ex-presidente Lula (PT) durante entrevista coletiva em São Paulo. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 24.10.2022 - O ex-presidente Lula (PT) durante entrevista coletiva em São Paulo. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A "Carta para o Brasil do Amanhã", documento divulgado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta quinta-feira (27) sinaliza a tônica que o ex-presidente quer imprimir ao debate da TV Globo, o último antes das eleições de 2022.

Na avaliação de interlocutores do petista, com o presidente Jair Bolsonaro (PL) "nas cordas", ainda se explicando sobre o ataque de Roberto Jefferson à PF (Polícia Federal) e o estudo vazado de dentro de seu governo para não corrigir o salário mínimo pela inflação, o objetivo é aproveitar esse flanco e retomar a rédea da discussão para a zona de conforto de Lula.

O ex-presidente está sendo preparado, portanto, para focar o quanto puder em temas econômicos e sociais durante o debate. Pretende destacar os problemas do Brasil, atribuindo-os a Bolsonaro, e mostrar experiência e preparo para enfrentá-los com base em suas gestões anteriores.

Com o que vai apontar ser seu legado, irá indicar suas soluções para a "reconstrução do país".

Apesar disso, a meta é não fugir do embate quando Bolsonaro o propuser e não deixar nenhuma provocação sem resposta. Mas, na medida de possível, trazer sempre o assunto de volta para "a pauta do povo", nas palavras de um de seus coordenadores de campanha.

Nos dois debates em que participou, auxiliares do petista avaliaram que seu desempenho não foi satisfatório quando ele foi abordado sobre o tema corrupção. No último enfrentamento, Lula se atrapalhou com o tempo e permitiu que Bolsonaro falasse por alguns minutos sem contestação.

A TV Globo promove nesta sexta-feira, dia 28 de outubro, às 21h30, o último debate entre os candidatos à Presidência da República que disputam o segundo turno das eleições: Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mediado pelo jornalista William Bonner, o evento será transmitido ao vivo pela TV Globo, pela GloboNews e pelo G1, direto dos Estúdios Globo (ex-Projac), no Rio de Janeiro.

O debate terá cinco blocos: o primeiro e o terceiro serão de temas livres, com duração de 30 minutos. Cada candidato terá 15 minutos de tempo e deverá administrar seu prazo entre perguntas, respostas, réplicas e tréplicas, como aconteceu no debate realizado em pool entre a Rede Bandeirantes, a Folha de S.Paulo, o UOL e a TV Cultura no dia 16 de outubro.

Lula lançou nesta quinta-feira (27) um documento em que promete combinar responsabilidade fiscal e social, caso eleito. Se a intenção era dar sinais mais claros ao mercado, no entanto, o documento foi recebido com frustração.

"A política fiscal responsável deve seguir regras claras e realistas, com compromissos plurianuais, compatíveis com o enfrentamento da emergência social que vivemos e com a necessidade de reativar o investimento público e privado para arrancar o país da estagnação", diz o texto. "Temos consciência da nossa responsabilidade."