Cartão Corporativo de Bolsonaro tem 'fortuna' em padarias e até R$ 3 mil no McDonalds

Bolsonaro gastou R$ 1,46 milhão num único hotel e R$ 362 mil na mesma padaria

Queda de sigilo de cartão corporativo da gestão Bolsonaro mostra gastos suntuosos em hoteis de luxo e panificadoras - Foto: AP Photo/Eraldo Peres
Queda de sigilo de cartão corporativo da gestão Bolsonaro mostra gastos suntuosos em hoteis de luxo e panificadoras - Foto: AP Photo/Eraldo Peres

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), durante sua gestão, chegou a gastar com o cartão corporativo da presidência da República R$ 1,46 milhão num único hotel e R$ 362 mil na mesma padaria e R$ 3 mil com lanches no McDonalds. As informações foram conseguidas pela Fiquem Sabendo – agência de dados públicos especializada na Lei de Acesso à Informação (LAI).

De acordo com o Estadão, um pedido feito em 18 de dezembro foi respondido na noite de 11 de janeiro, indicando um link em que constam os dados dos gastos do cartão corporativo de todos os presidentes da República desde 2003, início do primeiro mandato de Lula.

De acordo com Luiz Fernando Toledo, um dos fundadores da organização, foram feitos mais de 10 pedidos via LAI para ter acesso aos gastos do cartão corporativo da presidência durante a gestão Bolsonaro e todos foram negados usando o argumento de que revelar as despesas poderia colocar em risco o presidente e familiares.

Em todos os casos, a justificativa foi de que as informações seriam divulgadas depois do fim do mandato, baseado no inciso segundo do artigo 24 da LAI.

Os últimos lançamentos de notas fiscais datam de 19 de dezembro, referente a compra de comida. Se ocorreram gastos posteriores, pagos com cartão corporativo, ainda não constam no sistema.

Dos 59 tipos de despesas feitas com o cartão, os gastos com hotel foram os que mais consumiram recursos. Pelo menos R$ 13,6 milhões foram desembolsados em hospedagem: muitas vezes em locais de luxo, contrariando o discurso adotado muitas vezes por Bolsonaro, que afirmava ser contrário a esbanjar dinheiro público quando é possível optar pela simplicidade.

Na lista de endereços que receberam quantias polpudas está o Ferraretto Hotel, em Guarujá (SP), onde o agora ex-presidente costumava passar momentos de descanso. Ao longo dos quatro anos, o estabelecimento recebeu R$ 1,46 milhão.

As dez maiores notas fiscais de despesas no cartão corporativo são de hospedagem, variando entre R$ 115 mil e R$ 312 mil.

Também em panificadoras os gastos em vários estabelecimentos passavam de R$ 10 mil – quase oito salários mínimos de uma única vez. Por 20 vezes ao longo do mandato de Bolsonaro, foram realizados gastos significativos em uma das filiais da padaria carioca Santa Marta. As notas fiscais variam de R$ 880 (menor valor) a R$ 55 mil (maior valor), com média de R$ 18 mil. Ao todo, o estabelecimento recebeu R$ 362 mil do cartão corporativo da presidência. Um dos gastos – de R$ 33 mill – foi no dia 22 de maio de 2021, na véspera de uma motociata realizada no Rio de Janeiro.

Paladar infantil

Muitas vezes confessados por Bolsonaro, paladar infantil e a predileção por doces, aparecem em números. Em cinco sorveterias foram feitas 62 compras, que somaram R$ 8,6 mil. Em uma única vez foram gastos R$ 540. Não é ilegal comprar sorvete com o cartão corporativo - mas esse recurso deve ser usado para ações fundamentais ao governo, principalmente em deslocamentos.

Além disso, o ex-presidente também chegou a gastar cerca de R$ 3 mil em lanches na McDonalds, valores que variam entre R$ 226 e R$567 de uma única vez.