Ex-conselheira de Obama nega uso de inteligência dos EUA para espionar Trump

Washington, 4 abr (EFE).- Susan Rice, antiga conselheira de Segurança Nacional do ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama, negou nesta terça-feira que a administração democrata fez uso do serviço de espionagem do país para averiguar a identidade de colaboradores do atual chefe de Estado Donald Trump na campanha eleitoral de 2016 e no período de transição.

Em entrevista à emissora "MSNBC", Rice rotulou de "falsas" as informações veiculadas esta semana por vários meios de comunicação americanos, que a relacionam com a suposta espionagem a Trump.

"A alegação é que, de alguma maneira, a administração Obama usou informação de inteligência por motivos políticos. Isso é absolutamente falso", insistiu a ex-conselheira.

O magnata republicano repercutiu hoje a notícia ao publicar em seu perfil no Twitter um link para uma informação divulgada pelo site conservador "The Daily Caller", junto com a pergunta "Rice ordenou a elaboração de documentos de espionagem sobre Trump?".

O ex-procurador Joseph di Genova garantiu para esse site que Rice ordenou às agências de inteligência dos EUA que elaborassem "planilhas" de ligações telefônicas "legais" feitas por Trump e seus colaboradores.

"As conversas monitoradas não envolveram nenhuma atividade ilegal de nenhum dos colaboradores de Trump ou daqueles com quem eles conversavam. Em resumo: a única atividade aparentemente ilegal foi desmascarar as pessoas das chamadas", indicou diGenova, sem apresentar provas.

"Não houve planilhas. Nada disso", ressaltou a ex-conselheira de Obama, ao reiterar que "isto é uma completa invenção".

Outros veículos de imprensa, como os canais "Fox News" e "Bloomberg", informaram que Rice requisitou os dados de inteligência recolhidos em uma operação muito organizada.

Segundo a "Fox News", os "nomes desmascarados" de pessoas relacionadas com Trump foram enviados ao Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, ao Pentágono, aos então diretores de Inteligência Nacional, James Clapper, e da Agência Central de Inteligência (CIA), John Brennan.

De acordo com essa emissora, que citou "múltiplas fontes" sem detalhá-las, essas identidades eram parte de uma "vigilância eletrônica" sobre Trump e pessoas de seu círculo mais próximo, inclusive membros de sua família, durante um ano antes de ele tomar posse como presidente dos Estados Unidos em 20 de janeiro.

A "Bloomberg", por sua vez, afirmou que Rice pediu a identidade de pessoas que figuravam em relatórios do serviço de espionagem que, "em várias ocasiões", estavam relacionados com as equipes de campanha e de transição de Trump.

Segundo esta emissora, que cita como fonte "funcionários dos EUA familiarizados com o assunto", os advogados da Casa Branca descobriram essa prática no mês passado.

O porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, recusou fazer comentários ontem sobre as alegações, mas criticou a "falta de interesse" de muitos veículos de imprensa no caso.

Essas informações vieram à tona depois que Trump acusou, no início de março, Obama de ter ordenado grampear suas comunicações na Trump Tower, em Nova York, onde o magnata vivia e trabalhava durante a campanha eleitoral de 2016.

O presidente não ofereceu provas de sua denúncia, mas pediu ao Congresso que investigasse essa suposta vigilância de Obama, apesar de o ex-mandatário ter negado que ordenou tais atividades.

Ao ser perguntada pela denúncia de Trump, Rice afirmou hoje que se sentiu "comovida" por uma acusação que "não se baseia em fatos".

O senador republicano Rand Paul deu hoje por certa a espionagem e acusou Rice de "abusar deste sistema" por "motivos políticos", e acrescentou que a antiga colaboradora de Obama deveria ser interrogada "sob juramento" sobre o caso. EFE