Casa Branca critica autoridades sanitárias por atraso em testes da COVID-19

Peter Navarro em foto de 22 de março de 2020, em Washington

Um alto funcionário da Casa Branca criticou duramente neste domingo (17) os Centros de Prevenção e Controle de Doenças (CDC), aos quais culpou pelos atrasos iniciais dos Estados Unidos na detecção da COVID-19.

"No começo da crise, os CDC, que desfrutavam da maior reputação nesta área em nível mundial, realmente decepcionaram o país nas testagens", declarou o assessor econômico da Casa Branca Peter Navarro à emissora NBC.

"Além disso, conceberam um teste ruim. E isso nos fez ficar para trás", acrescentou.

O único teste utilizado nos estágios iniciais da pandemia foi o desenvolvido pelos CDC, segundo uma tecnologia validada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e adotada em todo o planeta.

Mas devido a problemas com os reagentes, os primeiros kits distribuídos nos Estados Unidos apresentaram resultados inconclusivos, nem positivos, nem negativos.

O secretário de Saúde e Serviços Humanos, Alex Azar, saiu em defesa dos CDC, destacando que nunca se supôs que a agência fosse "a coluna vertebral dos testes em massa nos Estados Unidos".

"Não acho que os CDC tenham decepcionado o país. Acredito que os CDC desempenham um papel importante na saúde pública. E o que sempre foi crítico foi incorporar o setor privado", acrescentou Azar em entrevista ao canal CBS.

Os laboratórios públicos dos diversos estados e agentes privados estavam autorizados inicialmente a distribuir seus próprios testes e não puderam agir até 29 de fevereiro, após o anúncio da primeira morte por coronavírus nos Estados Unidos, que hoje soma quase 90.000 falecimentos.

Desde então, o país aumentou enormemente sua capacidade de detecção e mais de 12 milhões de americanos foram testados.

O presidente Donald Trump não deixa de destacar os avanços neste campo, mas a cifra representa apenas 4% da população nacional, o que coloca a primeira potência mundial em 39º lugar, atrás de Itália, Espanha e Rússia segundo o site de estatísticas Worldometer.

Os críticos de Trump temem que a capacidade de detecção seja insuficiente para evitar uma segunda onda de contágios, em um momento em que muitos estados dão os primeiros passos no desconfinamento.