Casa Branca reage a críticas expondo dívidas estudantis de opositores

*Arquivo* O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*Arquivo* O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Casa Branca ironizou, nesta quinta-feira (25), as críticas de ao menos seis congressistas republicanos em relação ao perdão a dívidas de empréstimos estudantis, anunciado pelo presidente dos EUA, Joe Biden, um dia antes. Em uma publicação no Twitter, o governo americano divulgou as dívidas desses parlamentares e disse que elas foram perdoadas.

O deputado Vern Buchanan , por exemplo, deve US$ 2,3 milhões (R$ 11,75 mi) ao governo por empréstimos estudantis, apontou a Casa Branca. A lista inclui ainda os republicanos Marjorie Taylor Greene, Markwayne Mullin, Kevin Hern, Mike Kelly e Matt Gaetz.

Há pouco mais de um mês das eleições de meio de mandato, o governo Biden dará um perdão de US$ 10 mil (R$ 51 mil) nas dívidas de empréstimos estudantis contraídas por americanos que ganham menos de US$ 125 mil (R$ 639 mil) por ano. Um deputado federal nos EUA recebe US$ 174 mil anualmente, portanto é incerto se, como a Casa Branca revelou, os republicanos serão beneficiados com a medida.

O presidente americano havia prometido a renegociação das dívidas ainda em sua campanha à Presidência. Na quarta (24), ele também anunciou a prorrogação da suspensão do pagamento dos empréstimos em vigor desde março de 2020.

Biden disse ainda que aquelas pessoas que fizeram empréstimos para graduação poderão limitar os pagamentos a 5% da renda mensal, mudança capaz de reduzir significativamente as contas de milhões de devedores. Os atuais planos governamentais baseados em renda geralmente limitam os pagamentos a 10% da renda discricionária de quem fez o empréstimo.

O governo afirma que 90% do alívio irá para famílias que ganham US$ 75 mil por ano ou menos. O plano deve enfrentar recursos na Justiça.

Segundo estimativa da própria Casa Branca, o perdão custará US$ 24 bilhões por ano aos cofres públicos. Mas, de acordo com o jornal americano The New York Times, a medida poderá custar aos contribuintes cerca de US$ 300 bilhões ou mais em dinheiro efetivamente emprestado e que nunca será reembolsado.

O custo real é difícil de ser calculado. Isso porque, ainda antes do perdão, era difícil prever que todas as dívidas seriam pagas. Nos EUA, 45 milhões de pessoas devem um total de US$ 1,6 trilhão (R$ 8,2 trilhões) de empréstimos federais contraídos para cursar a faculdade -mais do que devem em financiamentos de carros, cartões de crédito ou qualquer dívida de consumo, exceto hipotecas.

Os críticos alegam que a medida contribuirá ainda mais para o aumento da inflação americana -hoje, em 8,5%, um dos maiores índices em décadas. "No meio da esmagadora inflação de Biden, como o presidente poderia justificar uma doação de empréstimos estudantis que ignora os americanos mais prejudicados?", questionou no mês passado o deputado republicano Kevin Brady.

"Os trabalhadores de Ohio estão pagando os empréstimos dos estudantes de direito de Harvard. Se isso parece injusto e ilegal, é porque é", escreveu o candidato republicano ao Senado, J.D. Vance no Twitter.

Alguns democratas também reforçaram as críticas: "Estou feliz pelas pessoas que vão se livrar dessa política", disse a deputada Elissa Slotkin, de Michigan. "Mas este é um curativo de uso único que não chega à raiz do problema." Em vez disso, disse ela, o governo deveria buscar reformas como a inclusão de um teto nas taxas de juros dos empréstimos estudantis.