Casa França-Brasil, no Centro do Rio, retoma atividades com agenda até 2022

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“A Casa França-Brasil, de fato, está de volta”, avisa Helena Severo, diretora do histórico solar, um dos mais importantes espaços culturais do Centro do Rio, que reabre hoje com a exposição “Forma e cor”, em cartaz até 20 de outubro.

Depois de uma breve mostra em março, viabilizada pela Lei Aldir Blanc, agora o espaço retorna às atividades com uma programação definitiva até agosto do ano que vem.

—Temos uma agenda. Essa exposição terá sequência — avisa Helena.

“Forma e cor” tem a curadoria da própria diretora da instituição e do artista plástico e diplomata Marcos Duprat, cujas pinturas estão expostas ao lado de outras de Luiz Aquila e de esculturas de Emanoel Araújo e Luiz Hermano. A mostra, com 20 obras, é uma homenagem a Vera Pedrosa, embaixadora, poeta e crítica de arte, que morreu em fevereiro, aos 85 anos.

—Nós quatro tivemos o privilégio de ter os textos de Vera, a convivência, a opinião e o olhar dela — diz Marcos Duprat, amigo íntimo e colega da diplomata no Itamaraty.

Para explicitar a verve crítica do trabalho dela, ele fez questão de colocar na Casa França-Brasil, ao lado de suas obras, um texto que ela escreveu em abril de 2019: “As obras harmonizam-se no cromatismo e na luminosidade. São trabalhos refinados que mostram plena maturidade e domínio dessa sua forma de colour ground painting que exige saber fazer”.

A dualidade da produção dos artistas reflete também a diversidade do gosto de Vera. Se Marcos Duprat, com ele mesmo diz, pinta “silêncio e luz”, Aquila expressa a arte com “ritmo e explosão de cor”.

— Ele pinta sempre intuitivamente. Eu, de forma mais planejada. Nós, como artistas e amigos, achamos interessante esse contraste — diz Duprat.

Essa contraposição se repete nas esculturas de Emanoel Araújo e Luiz Hermano. Enquanto o primeiro privilegia o rigor geométrico, o segundo dá vazão a contornos orgânicas.

Motor para o entorno

Depois de “Forma e cor”, a Casa França-Brasil será um dos espaços da Bela Bienal, a Bienal Europeia e Latino-Americana de Arte Contemporânea, de 8 a 11 de novembro, que aconteceu na Finlândia em julho e agosto. Em dezembro e janeiro, será a vez de “Uns sobre os outros —história como corpo coletivo”. Em agosto do ano que vem, está no programa “Tarsila: uma coleção de desenhos”, para celebrar a Semana de Arte Moderna de 22.

Quando a cidade volta a falar sobre retomada e revitalização, Helena pontua como os artefatos culturais assumem um papel importante nessa discussão.

—O pleno funcionamento da Casa e de outras instituições daquela região é de extrema relevância para reabilitação do Centro — diz Helena.

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