Casa onde Fabrício Queiroz foi preso tinha cartaz com 'AI-5'

Redação Notícias
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Cartaz com AI-5 foi encontrada dentro da residência onde estava Queiroz, em Atibaia. (Foto: Divulgação/Polícia Civil)
Cartaz com AI-5 foi encontrada dentro da residência onde estava Queiroz, em Atibaia. (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

Um cartaz com referência ao AI-5 (Ato Institucional número 5) foi encontrado na residência onde foi preso Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), na manhã desta quinta-feira (18), em Atibaia, no interior de São Paulo.

Considerado o mais duro dos atos institucionais do período da ditadura militar (1964-1985), o AI-5 autorizava o presidente da República a decretar o recesso do Congresso Nacional, das assembleias legislativas e das câmaras de vereadores, cassar mandatos de parlamentares e suspender direitos políticos dos cidadãos.

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O cartaz, em amarelo e com um símbolo da bandeia nacional, estava em cima de uma lareira ao lado de bonecos do mafioso Tony Montana de ‘Scarface’. O filme do diretor Brian de Palma, lançado em 1983, consagrou Al Pacino no papel de um refugiado cubano que chega aos Estados Unidos sem nada e se torna um poderoso chefão do tráfico de drogas de Miami.

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Há informações de que Queiroz residia no local há cerca de um ano, segundo a Polícia Civil em entrevista à emissora Globonews. A casa pertence a Frederick Wassef, advogado de Jair Bolsonaro (sem partido) e Flavio. Apesar de abrigar Queiroz em sua casa há um ano, Wassef disse em setembro de 2019 que não sabia onde o ex-motorista da família Bolsonaro estava.

Além da inconsistência na versão apresentado por Wassef em setembro, o advogado agrava a crise gerada pela prisão de Queiroz, aproximando-a ainda mais ao governo Bolsonaro. Nesta quarta-feira (17), Wassef esteve na posse de Fábio Faria (PSD-RN), novo ministro das Comunicações.

CASO QUEIROZ

Policial Militar aposentado, Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão em sua conta de maneira considerada "atípica", de acordo com relatório do antigo Conselho de Atividades Financeiras (Coaf). Ele trabalhou para o filho do presidente Jair Bolsonaro antes de Flávio tomar posse como senador, durante o mandato de deputado estadual no Rio de Janeiro.

Além do volume movimentado, chamou a atenção a forma com que as operações se davam: depósitos e saques em dinheiro vivo em datas próximas do pagamento de servidores da Alerj

Figura polêmica, Queiroz foi assessor e motorista de Flavio Bolsonaro até o fim de 2018, quando acabou exonerado. A investigação do MP-RJ que apura as irregularidades de Queiroz na Alerj chegou a ser suspensa depois da decisão de Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido da defesa de Flavio Bolsonaro em 2019.

Embora estivesse empregado no gabinete de Flávio entre 2007 e 2018, a origem da relação de Queiroz com a família Bolsonaro é o presidente da República. Os dois se conhecem desde 1984 e pescavam juntos em Angra dos Reis.

O PM aposentado também depositou R$ 24 mil na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro em 2016. O presidente afirma se tratar de parte da quitação de um empréstimo de R$ 40 mil.

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