Casa do Pontal prorroga funcionamento da sede histórica até fim do mês

Cristina Indio do Brasil - Repórter da Agência Brasil
·4 minuto de leitura

O público ganhou mais uma chance de se despedir da sede histórica do Museu Casa do Pontal, no Recreio, zona oeste do Rio de Janeiro. A exposição “Até logo, até já”, que ia marcar o fim das atividades no local, no domingo passado (8), foi prorrogada até o dia 29 deste mês.

O sucesso de público foi surpreendente para a direção do Museu, que resolveu estender até o fim do mês a possibilidade dos visitantes verem cerca de duas mil obras do abrangente e raro acervo de arte popular brasileira do espaço cultural, composto por mais de nove mil obras de 300 artistas brasileiros. O acervo do Museu Casa do Pontal, uma referência em arte popular brasileira é o maior e mais significativo deste segmento no Brasil.

“A gente teve finais de semana com mil pessoas motivadas vendo tudo com olhos de última vez que está vendo. A gente estimulava que a visita fosse um pouco mais curta até para não ter filas. Muita gente vindo de carro de São Paulo para ver”, disse a diretora curadora do Museu do Pontal, Angela Mascelani, em entrevista à Agência Brasil.

O sentimento de despedida do prédio histórico acabou equilibrando o público entre os que estavam voltando ao local e queriam preservar na memória a imagem do Museu e os de primeira visita. “Foi bem equilibrado, muitas pessoas estavam vindo também pela primeira vez e já tinham vontade de vir mas achavam o Museu longe de onde moravam. Mas estavam juntos os que já tinham vindo. Foi uma coisa muito forte”, contou.

Entre os artistas das obras expostas estão Mestre Vitalino (1909 - 1963), Zé Caboclo (1921 – 1973), Manuel Galdino (1929 – 1996), Luiz Antonio (1935), de Pernambuco; Antônio de Oliveira (1912 – 1996), Dadinho (1931 - 2006), Maria Assunção (1940 – 2002), Noemisa Batista (1947), João Alves (1964), de Minas Gerais; Nino (1920-2002), Celestino (1952), de Juazeiro do Norte, Cariri, no Ceará; e Adalton Fernandes Lopes (1938 – 2005), de Niterói, região Metropolitana do Rio.

Divulgação, obra
Divulgação, obra
Divulgação, obra
Divulgação, obra
Divulgação, obra "Mulher Torrando café", do Mestre João Alves, do Museu Casa do Pontal - Divulgação/Museu Casa do Pontal/Direitos Reservados

O percurso da exposição está dividido nos temas Profissões, Mestre Vitalino, Vida Rural, Ciclo da Vida, Circo, Arte Incomum, Religião e Ex-voto, e Escolas de Samba, distribuído nos dois andares da casa. Por onde passa, o visitante tem a sua disposição textos explicativos em português, inglês e francês, ampliações fotográficas com imagens dos artistas e de festas populares.

Mudança

O motivo para a despedida das instalações atuais no Recreio, onde o Museu Casa do Pontal funciona há 44 anos, é uma série de enchentes que o espaço cultural enfrenta há dez anos. No início deste ano não foi diferente. A nova sede, na Barra da Tijuca, deve ser inaugurada entre abril e junho do ano que vem e foi inteiramente construída para abrigar o Museu.

Na segunda-feira, depois do encerramento, a equipe da Casa do Pontal vai começar o processo de embalar as peças da exposição para a mudança de todo o acervo, para a nova sede, na Barra da Tijuca, onde estarão a salvo de inundações. “Essa é a parte nevrálgica. Foi muito difícil tomar a decisão de prorrogação porque tivemos que levar em consideração todo um trabalho, mas a gente fez um plano estratégico de desmobilização do acervo que vai dar tudo certinho”, disse a diretora.

Obras do Museu Casa do Pontal embaladas
Obras do Museu Casa do Pontal embaladas
Obras do Museu Casa do Pontal embaladas
Obras do Museu Casa do Pontal embaladas
Obras do Museu Casa do Pontal embaladas - Divulgação/Museu Casa do Pontal/Direitos Reservados

Angela Mascelani revelou que a sede histórica ainda vai servir de reserva técnica do Museu, enquanto as peças, especialmente, as maiores e mais pesadas, não puderem seguir para as novas instalações. Por causa do primeiro turno das eleições 2020, o Museu não abrirá no próximo domingo, dia 15 de novembro.

Cuidados

Em tempo de pandemia foi montado um esquema para dar segurança sanitária aos visitantes. Não é necessário agendamento prévio, mas é obrigatório o uso de máscaras. Na entrada, a temperatura é checada e em todo o espaço há totens com álcool em gel, com controle de quantidade de visitantes na área interna.

A área externa pode ser usada por pessoas agrupadas por núcleo familiar. A equipe de funcionários usará além de máscaras o protetor de rosto (face shield). Grupos prioritários têm atendimento especial.

Casa do Pontal

O museu foi fundado em 1976 pelo artista e colecionador francês Jacques Van de Beuque (1922-2000). As peças foram reunidas a partir de pesquisas e de viagens que ele fez pelo Brasil da década de 1950 até até a de 1990. Depois disso, as novas pesquisas e aquisições foram realizadas pela diretora curadora. O acervo tem ainda coleções de outros pesquisadores e doações de apaixonados pela arte popular.

O Museu do Pontal conta com parcerias do BNDES, da mineradora VALE do Banco ITAÚ, do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) e da Secretaria Especial de Cultura.