'Casa do samba' e exposição de bate-bolas: Mercadão resgata identidade do carnaval suburbano

Carolina Nalin*
1 / 2

Screenshot_4.jpg

Grupo toca junto a grafite de Tia Surica e Arlindo Cruz

RIO — Arlindo Cruz já homenageou o Mercadão, na canção “Meu lugar”. Agora é a vez de o maior polo comercial da Zona Norte, em parceria com o Sesc, reverenciar o cantor e a integrante da velha-guarda da Portela Tia Surica, com a Casa do Samba. No primeiro andar do Mercadão, próximo à galeria G, o espaço celebra a cultura popular do samba com bar, mesas de boteco, fantasias e um clima carnavalesco.

O local recebe um grande movimento de pessoas, que podem aproveitar a área para fazer uma pausa nas compras, tirar fotos com os grafites dos dois ídolos suburbanos ou assistir a shows gratuitos de grupos de samba enquanto faz uma produção carnavalesca com os maquiadores do evento. A Casa do Samba fica aberta todos os dias, das 9h às 18h, até o dia 22 deste mês. Às terças, haverá encontros musicais. Aos sábados, blocos ganham destaque, das 10h às 14h.

Marcando o início de uma nova tradição, o Mercadão elegeu uma Rainha do Carnaval pela primeira vez. A escolhida é Nilma Duarte, moradora do Lins que comanda um grupo de passistas plus size.

Para o ator e figurinista que anima a Casa do Samba, Felipe Brosco, a tônica do espaço é o resgate cultural da folia em Madureira:

— Este espaço é bem importante porque Madureira é um local que têm muito a cultura do carnaval. As pessoas passam por aqui e ficam encantadas, tiram foto com os grafites do Arlindo Cruz e a Tia Surica. É, realmente, um local para descontrair — afirma.

Ele diz, ainda, que a mostra têm uma pegada diferente dos espaços que são abertos temporariamente em outros pontos da cidade.

— No shopping, por exemplo, tudo é pago. A grande diferença entre esse espaço e outros é que aqui é tudo gratuito e inclusivo, e isso traz mais sociabilidade entre as pessoas — conta.

Veja também: Rodas de samba mantêm tradição e seguem com toda força na Zona Norte do Rio

Para o diretor de marketing do Mercadão, Marcelo Durval, o objetivo dos projetos é a aproximação com a comunidade.

— Antigamente, os comerciantes do Mercadão moravam em Madureira. Hoje em dia, não é mais assim. A ideia é justamente que a comunidade retorne, pois entre as galerias havia uma cultura muito forte. Vários blocos circulavam aqui dentro na véspera do carnaval, e nós queremos retomar esse sentimento. Madureira é um grande polo cultural da zona Norte — diz ele.

Outra atividade em funcionamento é a exposição de fantasias de bate-bolas, que acontece no segundo piso. Com o nome de ‘Bate-bolas e suas turmas: folia contemporânea no subúrbio carioca’, a mostra reúne a exposição de indumentárias feitas por turmas do Sesc, da Zona Norte e da Zona Oeste. A exposição está disponível de 9h às 18h e vai até o dia 22 deste mês. No sábado (15), às 10h, uma palestra com a doutoranda Aline Gualda sobre performances de bate-bolas no subúrbio ganha destaque no Mercadão.

Para Cássia Marques, moradora da Pavuna, a exposição de bate-bolas simboliza a alegria do povo brasileiro:

— A gente anda muito estressado, aflito com a correria do dia a dia e esse é o momento que as pessoas tiram pra extravasar, com alegria e bom humor. O Mercadão de Madureira traz essa exposição que mostra bem esse colorido, essa alegria do nosso povo. A expectativa é de que o carnaval deste ano seja com muita diversão, mas com tranquilidade e respeito — conta ela, que foi comprar acessórios para usar na folia.

*Estagiária, sob a supervisão de Milton Calmon Filho

SIGA O GLOBO-BAIRROS NO TWITTER (OGlobo_Bairros)