Casal que morreu em desabamento de falésia planejava reabrir hostel em dezembro: 'Com calma e segurança'

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O casal que morreu na Praia de Pipa (RN), um dos principais destinos turísticos da região, após parte de uma falésia desabar nesta terça-feira, dia 17, planejava reabrir em dezembro sua hospedagem com oferecimento de terapias holísticas.

Uma publicação do hostel Morada da Brisa datada de julho justificava que os serviços ficariam interrompidos por motivos de segurança, diante da pandemia da Covid-19.

"Está sendo um tanto desafiador para nós conseguirmos manter o projeto, mas graças a Deus estamos de pé e muito firme no propósito. A familia unida, o bebê crescendo com muita saúde e tudo sendo cuidado com muito carinho", diz a postagem.

Stella Souza e Hugo Pereira eram pais de Sol, nascido em abril deste ano. O menino também sofreu a queda, enquanto estava nos braços da mãe, mas não resistiu aos ferimentos.

O perfil da hospedagem, que também tem área de camping e de meditação, informava os seguidores sobre uma celebração que aconteceria quando as portas se abrissem novamente a hóspedes.

"Voltaremos em dezembro, vamos planejar uma celebração muito bonita, e até lá estaremos trabalhando de portas fechadas para melhorar nossa estrutura e nos adaptar a tudo isso que está acontecendo. Máximo respeito a todas as famílias e pessoas afetadas, nossos sinceros sentimentos. Pipa é um dos lugares mais bonitos do mundo, das praias e paisagens mais belas, mas entendemos que ainda não é o momento para reabrir. Hoje optamos por proteger a quem vive aqui e com calma e segurança no momento certo voltarmos a receber com muito amor quem esteja viajando, de passagem. Um abraço fraterno", finaliza.

Um post mais recente, feito no Facebook em 20 de outubro, mostrava o quanto Hugo e Stella estavam animados para voltar ao trabalho:

"Estamos contando os dias para voltar. Nesse momento não teremos mais quartos compartilhados em respeito a tudo que vem acontecendo no mundo, teremos suite família, suíte casal e quarto para amigos. No espaço de camping teremos os motor home que estamos terminando de montar para alugar e as barracas onde já disponibilizamos as mesmas com colchonete, luz, ponto de energia e ventilador. Seguiremos con nossas atividades holísticas, terapias e encontros. Vem sentir a brisa".

Segundo o portal de notícias "G1", Hugo aproveitava um dia de folga na praia com a mulher, o filho e o cachorro da família quando aconteceu o acidente. Não houve outras pessoas soterradas.

De acordo com a prefeitura de Tibau do Sul, onde fica a praia da Pipa, placas com alerta de desabamento são colocadas constantemente nas áreas de risco, mas logo são levadas pela maré cheia.

Moradores explicaram que, conforme as marés enchem e atingem a falésia, sua base vai sendo desgastada, o que deixa a parte de cima mais vulnerável a desabamentos.

Natural de Jundiaí (SP), Hugo deixou para trás um emprego de coordenador de projetos internacionais após ficar oito anos numa empresa grande. Numa publicação no Facebook feita em outubro, ele relatou que, desde então, viajou por cinco continentes e 24 estados brasileiros.

"Fiz coisas que nunca havia sequer pensado em fazer, trabalhei na louça, na faxina, diária de servente, trabalhei de voluntário, cerca no meio do mato. Fui feito de otário por quem corria comigo, fui amado por quem eu nunca nem tinha visto", contou. "Almocei na igreja, fiquei sem almoçar, almocei no restaurante chique. Dormi na rua, dormi na praia, na barraca, na casa abandonada, na praça , no aeroporto, por anos morei no carro", acrescentou, relembrando o período em que rodou o país numa kombi junto da cadela Brisa.