Casas de apostas ganham espaço nos uniformes da Série A

Os uniformes dos clubes brasileiros vêm passando por alterações nos últimos anos, e não relacionadas a questões de design ou cores. Até pouco tempo, os setores financeiro e o ramo de construturas e empreendimentos imobiliários dominavam o patrocínio máster nos times da Série A. Mas a entrada das empresas de apostas esportivas no mercado mudou as regras do jogo: as investidoras tradicionais viram sua presença perder espaço nos uniformes.

Os sites de apostas esportivas estão presentes no Brasil há menos de quatro anos. O decreto que autoriza a operação das empresas no país é de dezembro de 2018, com o Brasileirão de 2019 como o primeiro carro-chefe de atuação destas empresas no país. De lá para cá, o salto foi astronômico: de apenas um patrocínio máster em 2019, agora já existe uma hegemonia em 2022, presentes nos 20 clubes da elite, e como principais investidoras de metade deles.

De acordo com os dados do Ibope Repucom, quem dominava os patrocínios no Brasileirão em 2018 era o setor financeiro. Naquele ano, 16 dos 20 clubes da Série A tinham como patrocinador máster um banco. A Caixa estampava a camisa de 12 clubes, o Banrisul de duas equipes, e a Crefisa e o Banco Inter estavam em um time cada. O setor alimentício fechava a conta, e três clubes não tinham contrato no modelo máster.

Athletico é o 20º

Ao longo deste tempo, as casas de apostas cresceram em proporções extraordinárias: no primeiro ano, oito empresas operavam no Brasil, investindo em 10 clubes. No Brasileirão de 2020, o número de operadoras subiu para 11, que investiam em 13 clubes. Na última temporada, eram 19 as equipes recebendo seus investimentos. Com o acordo entre o Athletico e a Betsson, firmado na última quarta-feira, agora as casas de apostas estão presentes como parceiras de todos os clubes da principal competição nacional do país.

Apesar da operação já estar em andamento, as apostas esportivas ainda não foram regulamentadas. O decreto que estabelece a autorização tem validade até o final do ano, e até lá o Ministério da Economia precisa estabelecer as regras para o funcionamento do mercado. O advogado especializado em direito desportivo Eduardo Calezzo diz que a lentidão na regulação prejudica o setor:

— Com essa demora, perdem todos, porque a regularização traria geração de empregos, negócios, impostos, e atrairia operadores globais para o país. A regulamentação adequada aumentaria inclusive os valores envolvidos nos acordos entre clubes e sites de apostas.

A situação muda de figura quando se trata do futebol feminino. Dos dez clubes da Série A que tem casas de apostas como patrocinadoras principais, apenas quatro — Atlético-GO, Avaí(que disputa a Série A1 em parceria com o Kindermann), Botafogo, e Santos — também têm as operadoras ocupando o lugar mais nobre do uniforme.

Fluminense, Atlético-MG, América-MG, Goiás e Juventude não têm os vínculos com as casas ampliados à categoria feminina, e no caso dos quatro últimos, as atletas não possuem nenhuma outra marca em seus uniformes. Coritiba, Cuiabá e Fortaleza também não possuem patrocínio algum em suas equipes femininas.

A situação é diferente no Internacional, que tem a EstrelaBet com espaço reduzido na omoplata do uniforme masculino, mas como patrocinador principal no feminino, e no Palmeiras, que tem a Betfair como máster no feminino.

— Podemos observar que há mais interesse das companhias em apoiar as equipes de futebol feminino. A modalidade está entrando no radar das grandes empresas — diz Armênio Neto, especialista em geração de receitas na indústria esportiva.

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