Casas de shows esperam reabertura entre julho e setembro de 2020

Ivete Sangalo tem show marcado no dia 7 de agosto, em São Paulo

Na Califórnia e em Nova York, nos Estados Unidos, governadores e prefeitos sugerem que nenhum show deve ser realizado antes de setembro ou outubro de 2021. Exagero? Para donos de casas de shows brasileiras, sim. A prioridade é atender às recomendações de autoridades da saúde, mas empresários do ramo já possuem até programações prontas para serem cumpridas ainda em 2020.

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“A recomendação vinda da Califórnia é um tanto pessimista, no meu ponto de vista, até porque a situação lá, aparamente, é mais grave do que a nossa. As autoridades estão adotando uma postura bastante conservadora em sobre realização de eventos”, diz Marco Tobal Junior, sócio do Espaço das Américas.

“Ainda que estejamos vivendo um cenário de incertezas que ninguém jamais viveu, e não há nenhum tipo de previsão concreta, minha expectativa é que a nossa atividade consiga ser retomada ainda esse ano, de maneira segura, e aprovada pelas autoridades sanitárias”, fala Tobal.

A casa de espetáculos, uma das maiores de São Paulo, tem na agenda para os próximos meses shows de, entre outros, Manu Gavassi (18 de julho), Djavan (1 de agosto) e Ivete Sangalo (7 de agosto).

O espaço está com shows internacionais a partir de agosto, remarcados por conta do coronavírus, como Il Divo (6/8), a dobradinha de rock progressivo Renaissance e Curved Air (20/8) A série de atrações internacionais de 2021 começa com o Nightwish, em janeiro.

A situação é parecida no Vivo Rio. “Adiamos os shows entre os meses de março e maio. Os que já estavam programados para junho em diante ainda não foram alterados, pois seguimos aguardando as definições das autoridades competentes”, diz Bianca Labruna, diretora artística da casa.

Carlos Konrath, presidente do grupo Opus, de Porto Alegre, que tem os teatros Opus e Bradesco, também não acha boa a iniciativa dos norte-americanos. “Acho uma decisão exagerada. Seria deixar a Califórnia sem shows por mais de um ano, um ano e meio”, diz.

Mas lembra que sim, deve haver precaução. “O cuidado é necessário. Em nossas casas, desde o início, quando previam retorno em junho / julho, já deixamos para voltar em agosto / setembro, como medida de segurança para artistas, equipe e o público. Também estamos aguardando orientações para saber se dá para realizar eventos nesta época.” 

Jonatas Camargo, programador e produtor do Tropical Butantã, de São Paulo, expõe uma visão mais ampla sobre o cenário todo, especialmente em relação aos shows internacionais, o forte da casa, que já tem na agenda de 2021 as bandas UFO e The 69 Eyes.

A postura da Califórnia, de ter shows só no segundo semestre de 2021, acho exagero. Mas tenho notado que, no Brasil, há uma tendência de que tudo fique para o primeiro semestre de 2021. Não vejo o mercado daqui voltando ao normal antes de um ano, mesmo com a reabertura entre julho e setembro de 2020”, avalia.

“É preciso considerar que haverá receio das pessoas de estarem em lugar fechado. Além do mais, tem a questão financeira. A expectativa é que a crise gere 15 milhões de desempregados. Com os 12 milhões que já tínhamos, então estamos falando em 27 milhões de pessoas sem emprego”, continua Jonatas. 

“No Tropical, imagino que a reabertura seja bem antes do segundo semestre de 2021. Temos shows nacionais marcados para o fim de julho de 2020, por exemplo. Seria um ponto de vista otimista pensar que vamos conseguir abrir nesta época, Mas teria que ser com certas condições. Capacidade reduzida, por exemplo. Só que não sei se todos os shows se tornariam viáveis porque foram marcados com certa previsão de quantidade de público. Então essa reabertura pode nem ser em julho, mas a partir do momento que aconteça, terá que ser com restrições. Imagino não só redução da capacidade, mas também obrigatoriedade do uso de máscara e oferta de álcool gel”, conclui Camargo.

Todo mundo esperançoso e preparado para a reabertura das casas. Mas falta o ok das autoridades, e o problema é saber quando isso irá acontecer.

“Ainda não temos uma estimativa. Qualquer afirmação neste momento, em que a pandemia ainda não chegou ao pico, é precipitada. Estamos agora trabalhando no plano da retomada das atividades econômicas e sociais. Todas as decisões neste sentido precisam acontecer com base na ciência e na medicina, em função da evolução da pandemia”, avisa Sérgio Sá Leitão, secretário de Cultura do Governo de São Paulo.

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