Casas com 5 graus de inclinação correm risco de desmoronar em Várzea, um bairros mais atingidos pelas chuvas em Recife

As chuvas fortes que caem sobre Pernambuco mostram uma de suas faces mais cruéis no bairro de Várzea, em Recife. ONG e voluntários fizeram na segunda-feira (30/06) à noite mapeamento para identificar locais em que há mais pessoas em risco. Apesar de ter registrado apenas uma das 100 mortes em todo o estado, a região é uma das que mais teve perdas materiais. Vídeos feitos pelos moradores mostram casas encharcadas de água, desmoronando como se fossem de papel. A grande área rural, que ficam num nível mais baixo do que o mar, foi completamente alagada.

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Até agora, já são 157 famílias desabrigadas e faltam alimentos e roupas. No momento, há cerca de 24 imóveis, alguns deles ocupados, que ameaçam ruir. Como se tornou uma área de difícil acesso devido aos estragos da tempestade, equipes do Gris Solidário, que funciona no local, e moradores começaram a mapear, por conta própria, onde o perigo é mais iminente e há mais pessoas acamadas, mulheres grávidas e crianças de zero a dois anos.

O ponto mais crítico é a Vila Arraes. Na Rua Padre Henrique, são pelo menos 20 casas com grandes rachaduras sem qualquer condição de serem habitadas. Ali, há construções com inclinações de até cinco centímetros. E, no Beco do Óleo, são mais 14 imóveis totalmente destruídos. Apesar disso, ainda há pessoas morando nos imóveis por não terem para onde ir e também por medo de assaltos que podem levar o pouco que restou do desastre provocado pelas enchentes.

Nas redes sociais, há imagens de pessoas sendo levadas pela enxurrada que foram resgatadas por voluntários e denúncias sobre o estado precário das moradias, mas até agora nada foi feito para proteger a população. A Gris Solidário tem levado as famílias mais pobres para o Centro Social Dom Bosco. Coordenadora da ONG, Joyce Paixão, que fez um apelo aos prantos pelas redes sociais, explica que a mobilização dos que foram menos afetados tem sido essencial para a distribuição de alimentos - até 1.800 quentinhas diárias -, medicamentos e itens como colchões e cobertores.

- Mesmo quem não é especialista vê a olho nu que esses imóveis não podem ser ocupados mais. Mas há pessoas com medo de sair. Então, muitas estão nas casas e outras saem para passar o dia no centro de assistência e voltam à noite. Estão acontecendo muitos assaltos e levam até botijão de gás dessas famílias. A situação é gravíssima. Não tivemos mais casos de mortes, graças a Deus, mas os riscos são muito grandes - diz Joyce.

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Várzea abriga o Instituto Ricardo Brennand, que tem vários edifícios em estilo medieval, incluindo um castelo com coleção de armas e armaduras e uma galeria. A floresta Mata São João da Várzea oferece trilhas e cachoeiras. O local fica a cerca de 1Km da Universidade Federal de Pernambuco (UFBE). Cortado pelo Rio Capibaribe, é o segundo maior bairro em extensão territorial de Recife, com 2.264 hectares.

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Além do Gris e do Centro Dom Bosco, os desabrigados também estão sendo acomodados na casa de moradores e em duas escolas públicas.

O GLOBO procurou a Defesa Civil de Recife e o Corpo de Bombeiros de Pernambuco, que informaram que não há notificações de moradores no bairro Várzea.

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