Caso Arthur do Val favorece cassação de vereador que fez fala racista, dizem colegas

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Vereadores da Câmara Municipal de São Paulo têm dito que o retrospecto recente do caso Arthur do Val (União Brasil) na Assembleia Legislativa de São Paulo deve direcionar a situação do vereador Camilo Cristófaro, ex-PSB, para a cassação.

Após o vazamento de áudios sexistas sobre mulheres ucranianas, a Comissão de Ética da Alesp aprovou por unanimidade um relatório pela cassação de Do Val, que renunciou ao cargo. Os deputados ainda vão votar a suspensão dos direitos políticos de Do Val, que, pelo que têm indicado as lideranças da Casa, será aprovada.

O caso de Cristófaro guarda diversas semelhanças com o de Do Val. O vereador disse uma frase racista durante uma sessão da CPI dos Aplicativos da Câmara nesta terça (3), "é coisa de preto, né".

Assim como Do Val, Cristófaro praticamente não tem aliados na Câmara e é malvisto pelos colegas. Na Alesp, a falta de aliados foi determinante para que o desfecho tenha sido o pior possível para o deputado até o momento.

O deputado Delegado Olim (PP-SP), relator do caso de Do Val, disse ao Painel que a diferença do parlamentar para Fernando Cury (Cidadania), que foi apenas suspenso após apalpar Isa Penna (PCdoB) em plenário, é a de que o segundo é querido pelos colegas.

Por fim, as perspectivas eleitorais dos colegas para 2022 devem fazer com que Cristófaro tenha dificuldades de escapar da pena máxima, assim como tem acontecido com Do Val.

Diversos vereadores serão candidatos a deputados estaduais ou federais e não vão querer ter seus nomes associados ao alívio da punição a Cristófaro.

Como mostrou a coluna Painel da Folha de S.Paulo, Milton Leite (União Brasil), presidente da Câmara, tem articulado para que Elaine Mineiro, vereadora do PSOL que é uma liderança negra, seja relatora do caso na comissão de ética da Casa, em sinalização de que quer uma punição rigorosa.​

OUTROS CASOS

Essa não é a primeira vez que Crisófaro se envolve em confusão. Em 2019, ele chamou o vereador Fernando Holiday (Novo) de "macaco de auditório", no plenário da Câmara.

"Gostaria de falar que lamentavelmente o senhor Fernando Holiday usa das redes sociais, que ele é o grande macaco de auditório das redes sociais, que ele usa dando risada dessa Casa, explodindo as redes sociais, porque a população adora ver sangue, maldade, mentira, fake, onde ele acusa os seus colegas de vagabundos", disse Cristófaro, na ocasião.

De acordo com a assessoria do vereador Gilberto Nascimento (PSC), que preside a Corregedoria, o caso referente ao parlamentar Holiday deverá ser votado nas próximas semanas.

Em 2017, a então vereadora e atual deputada estadual Isa Penna (PSOL) disse que foi empurrada e agredida por Cristófaro em um dos elevadores do prédio da Câmara Municipal.

De acordo com Isa, o vereador a xingou de "vagabunda", "terrorista", "cocô de galinha" e insinuou ameaças dizendo que ela não deveria ficar surpresa se "tomar uns tapas na rua".

Em seguida, já fora do elevador, Cristófaro se aproximou da colega de plenário e lhe deu "um empurrão de leve", de acordo com Isa. O vereador negou na época e diz que não ofendeu ninguém.

Há também acusações de agressões contra o vereador feitas por um funcionário da Subprefeitura do Ipiranga, que teria levado um soco em julho de 2020, e outra realizada por um assessor do vereador Eduardo Suplicy (PT). No primeiro caso, Cristófaro diz que foi um empurra-empurra e que apenas se defendeu diante do funcionário da subprefeitura. Em relação à queixa do assessor de Suplicy, o vereador afirmou, na ocasião, que a acusação era mentirosa e o funcionário "queria aparecer, queria mídia".

No dia 13 de março, a gestora pública Lucia de Souza Gomes, 47, registrou um boletim de ocorrência no 26º Distrito Policial, no Sacomã, em São Paulo. Ela acusa o vereador Cristófaro de tê-la ofendido verbalmente.

No boletim de ocorrência, ela narra que, ao tentar se aproximar do prefeito Ricardo Nunes (MDB) durante a inauguração de uma obra, o vereador Camilo Cristófaro disse que, se ela queria aparecer, "que fique pelada na revista Playboy" [sic].

A gestora pública, então, teria respondido que "o prefeito era para toda a cidade e não para algumas pessoas". Depois, ainda segundo o relato, ouviu o vereador chama-la de "vagabunda".

Cristófaro nega a versão da mulher e diz que não há provas contra ele.

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