Caso autista agredido: vizinha cuspiu e empurrou mãe de jovem após reclamar de carro danificado

Marjoriê Cristine
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RIO — A vizinha que agrediu e arrastou um adolescente autista em um condomínio da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, já havia atacado a mãe da vítima antes de protagonizar a violência filmada com o jovem. No dia 14 de março, a autora utilizou o livro ata do prédio para reclamar que o menino, que tem 16 anos, arrancou as duas placas do seu veículo, colocou lixo em volta do pneu e ainda teria arranhado a lataria. Na mensagem, ela afirma que um dos porteiros viu o adolescente perto do carro, mas o funcionário não flagrou o menor praticando nenhum ato. No mesmo dia, a mãe do menino, uma aposentada, deixou uma mensagem para informar que foi agredida fisicamente e verbalmente pela vizinha.

A idosa contou que a vizinha tentou invadir a casa dela, a empurrou e cuspiu no seu rosto ao ir reclamar dos estragos feitos pelo jovem. A mãe afirmou, ainda, que a agressora retirou o menino de dentro da casa e levou para o pátio. A aposentada deixou claro que o menino era autista, tomava remédio e que tinha laudo para comprovar a doença do filho.

"Venho por meio desta colocar o que aconteceu dentro da minha casa. Uma sra. muito (palavra ilegível), ela não saía do lugar. Eu pedi para ela, por favor, sair, mas ela colocou o seu corpo bem no meio da porta, me deu um empurrão e cuspiu na minha cara. Depois, levou ele para o pátio. Uma prima acompanhou tudo e viu tudo. Isso tudo porque ele encheu o pneu do carro dela com lixo e amassou as placas do carro. Nada disso justifica o que ela fez. Ele é autista, com (tenho) laudo e remédio", escreveu a mãe após sofrer as agressões.

A vizinha também usou o mesmo livro para acusar o adolescente de ter danificado o seu carro e informou que um porteiro encontrou o menino no local. No mesmo dia, o funcionário citado confirmou que o jovem estava perto do veículo. Ele relatou que foi verificar o carro e que viu a placa amassada e o lixo.

"Sr. síndico, mais uma vez o morador X. (não daremos o nome) danificou o meu veículo. Ele amassou a placa dianteira, a placa traseira, colocou lixo na roda traseira esquerda do veículo. Além disso, o veículo, que acabou de sair da lanternagem, apareceu com um arranhão do lado esquerdo com aparência proposital, feito com uma chave ou metal. Vale ressaltar que o porteiro chamou a atenção dele, pois o porteiro viu X. agachado por alguns minutos próximo ao citado veículo", diz a mensagem escrita pela agressora.

"Venho informar que o morador X. estava amassando a placa do carro estacionado no interior do condomínio. Perguntei o que estava fazendo, e ele disse que nada. Fomos verificar as placas amassadas com lixos colocados na roda do carro', escreveu o funcionário.

Corpo de delito e depoimentos na Polícia

O caso é investigado desde quinta-feira, dia 1º de abril pela Delegacia da Criança Adolescente Vítima (DCAV), quando as imagens que circulavam pelas redes sociais chegaram até ao departamento. No mesmo dia, agentes identificaram o condomínio e foram até o local para buscar informações, além de identificar a vítima, a agressora e testemunhas. Na tarde desta sexta-feira, dia 2, o jovem foi levado pela mãe e por policiais para realizar um exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML). O delegado titular da DCAV, Adriano França, já intimou dez pessoas para serem ouvidas no decorrer da próxima semana, a partir de segunda-feira, dia 5.

A agressora será investigada por agressão contra pessoa portadora de necessidades especiais, além de constrangimento ilegal, lesões corporais. Outros crimes ainda podem ser inseridos no inquérito, mas que ainda dependem de evidências que possam surgir durante a investigação, que corre em sigilo para não expor a vítima.

— As oitivas serão marcadas no decorrer da próxima semana, mas estão todos identificados. As condutas de cada um vão decorrer das oitivas. Mas todos foram identificados, inclusive os que estavam nesta cena lamentável — diz o delegado.

Na manhã de sexta-feira, os investigadores estiveram no condomínio e conversaram com vizinhos dos envolvidos no caso. Segundo a polícia, eles informaram que a suspeita é uma pessoa violenta e que sabia do transtorno do adolescente. O motivo da confusão teria sido porque a placa do carro do carro da moradora apareceu amassada e ela acusou o menino.

No vídeo gravado por crianças que estavam no local registraram o fato. Nas imagens, é possível ver a mulher arrastando o adolescente pelo corredor de uma das áreas comuns do condomínio por vários metros. Ela chega a pedir a ajuda a outro homem, mas resolve pegar o jovem sozinha e o agride ao tirá-lo forçadamente do local.