Caso Backer: morre a sexta vítima suspeita de intoxicação por dietilenoglicol em MG

Foto: DOUGLAS MAGNO/AFP via Getty Images

Foi confirmada a morte mais um homem, vítima suspeita de intoxicação por dietilenoglicol no caso da cerveja Belorizontina, na tarde desta segunda-feira. Até o momento, seis pessoas morreram com os sintomas da síndrome nefroneural, a segunda morte confirmada nesta segunda-feira (03).

Na madrugada, morreu João Roberto Sales, de 74 anos, que estava internado no hospital Madre Teresa, em Belo Horizonte. Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais, Sales era um dos 29 pacientes que constam como suspeitos de contaminação pelo solvente.

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O corpo do idoso chegou nesta manhã ao Instituto Médico Legal (IML) e, ainda segundo a corporação, não há previsão para a conclusão do laudo necropsial. As vítimas da chamada síndrome nefroneural desenvolveram sintomas de alterações neurológicas e insuficiência renal após o consumo da Belorizontona, produzida pela cervejaria Backer.

No último boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Saúde de Minas Gerais, a pasta informou que havia 30 casos suspeitos, entre os quais 26 homens e quatro mulheres. O dietilenoglicol foi encontrado no sangue de apenas uma das quatro vítimas fatais confirmadas até então.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) classifica o dietilenoglicol como um "solvente orgânico altamente tóxico" que oferece risco de morte em caso de ingestão e é capaz de levar à falência dos rins e do fígado.

O dietilenoglicol, de fórmula CHHO, é largamente utilizado como solvente em produtos químicos e remédios que não dissolvem em água, em especial na indústria farmacêutica, e também faz parte da produção de cosméticos, lubrificantes, combustíveis para aquecimento e plastificantes.

A intoxicação pelas duas substâncias causam vômito e dor abdominal, evoluindo para um quadro semelhante ao da embriaguez, com dificuldades de locomoção, fala e problemas de visão. Há também dormência e formigamento nas extremidades. O tratamento é feito com álcool etílico e até hemodiálise.

No mês passado, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) concluiu que a água utilizada na produção da cerveja Belorizontina, feita pela cervejaria Backer, estava contaminada com a substância dietilenoglicol.