Caso Elizamar: Vítimas foram forçadas a dar senhas bancárias e responder familiares

Ao menos duas pessoas da família sofreram com as ameaças em cativeiro

'Caso Elizamar': Ao menos duas pessoas ficaram presas em cativeiro (Reprodução/ PCDF)
'Caso Elizamar': Ao menos duas pessoas ficaram presas em cativeiro

(Reprodução/ PCDF)

Integrantes da família desaparecida no Distrito Federal (DF) que ficaram em cativeiro eram ameaçadas com uma arma de fogo para fornecerem senhas bancárias e responderem mensagens de familiares. A informação partiu de um dos suspeitos presos pela Polícia Civil do DF (PCDF) no 'caso Elizamar'.

Até o momento, três homens foram detidos e estão sendo investigados por se envolverem no sumiço de 10 pessoas da mesma família.

Ao menos duas foram mantidas em cativeiro: Renata Juliene Belchior, de 52 anos, e a filha Gabriela Belchior, de 24 anos. Elas eram, respectivamente, sogra e cunhada da cabeleireira Elizamar Silva que, junto com os três filhos mais novos, foi a primeira a desaparecer.

"[As vítimas] davam senhas e respondiam mensagens se passando por pessoas que estavam bem. Quando pessoas da família ligavam de forma insistente, eles [os criminosos] perguntavam como responder a mensagem, elas ditavam e eles respondiam", disse ao g1 o delegado Ricardo Viana, da 6ª Delegacia de Polícia.

Um dos presos também disse à polícia que ele e os comparsas tentaram fazer diversas transações bancárias nos dias em que mantiveram as vítimas em cativeiro, mas que não tiveram sucesso. Essa informação ainda não foi confirmada pela polícia.

Corpos encontrados. Até o momento, sete corpos foram achados. Seis estavam em dois carros pertencentes às vítimas e ainda não foram identificados. O último estava no cativeiro. Segundo a polícia, pertence a Marcos Antônio Lopes de Oliveira, sogro de Elizamar que foi inicialmente apontado como um dos mandantes do crime.

Segundo um dos suspeitos, Marcos Antônio e o filho Thiago Gabriel Belchior, marido de Elizamar, teriam encomendado as mortes. A hipótese perdeu força após a descoberta do corpo.

Quem são os desaparecidos?

  • Elizamar Silva, de 39 anos;

  • Os gêmeos Rafael e Rafaela, de 6 anos, filhos de Elizamar;

  • Gabriel, de 7 anos, filho de Elizamar;

  • Thiago Gabriel Belchior de Oliveira, de 30 anos, marido de Elizamar;

  • Marcos Antônio Lopes de Oliveira, de 54 anos, pai de Thiago;

  • Renata Juliene Belchior, de 52 anos, mãe de Thiago;

  • Gabriela Belchior de Oliveira, de 25 anos, irmã de Thiago.

  • A ex-mulher de Marcos Antônio, Claudia Regina Marques de Oliveira;

  • A filha de Marcos e Regina, Ana Beatriz Marques de Oliveira.

Motivação do crime

A Polícia acredita que o crime foi motivado por dinheiro, já que:

  • Elizamar tinha uma quantia guardada em uma conta bancária;

  • Renata Juliene tinha R$ 400 mil pela venda de uma casa em Santa Maria, no DF;

  • Claudia Regina tinha uma quantia resultante da venda de um imóvel, em dezembro de 2022.

Na casa de Gideon Batista de Menezes, um dos presos, a polícia encontrou R$ 14 mil em espécie. Na conta de outro suspeito, Horácio Carlos Ferreira Barbosa, investigadores acharam R$ 40 mil. Acredita-se que o dinheiro seja das vítimas.

Há um terceiro suspeito preso: Fabrício Silva Canhedo, que supostamente ficou responsável por vigiar as vítimas no cativeiro: Renata e Gabriela, respectivamente esposa e filha de Marcos Antônio.

Cronologia dos desaparecimentos

  • Elizamar e os três filhos mais novos saíram de casa e desapareceram na quinta-feira (12);

  • Ela estava casada com Thiago há 10 anos e também é mãe de um rapaz de 24 anos e uma jovem de 18 anos;

  • Um dia depois, o veículo dela foi encontrado perto de Cristalina (GO) com 4 corpos carbonizados e ainda não identificados;

  • No domingo (15), foi feita uma ocorrência sobre o desaparecimento do marido (Thiago), do sogro (Marcos Antônio), da sogra (Renata) e da cunhada (Gabriela) de Elizamar;

  • Na madrugada de segunda-feira (16), a polícia encontrou o carro de Marcos Antônio perto de Unaí (MG), carbonizado e com dois corpos ainda não identificados.

  • Na quarta-feira (18), a polícia encontrou o sétimo corpo enterrado no cativeiro. Ele pertence a Marcos Antônio.