Caso de estudante de medicina que satirizou texto sobre estupro chega à ouvidora da UFMS

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O estudante de medicina Lucas Müller Mendonça foi denunciado à ouvidoria da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) por ter satirizado um texto sobre violência de gênero nas redes sociais.

O caso ocorreu um dia depois da prisão do médico anestesista que estuprou uma paciente durante o parto no Rio e gerou revolta entre internautas.

Mendonça, que se identifica como um estudante de 21 anos do curso de medicina da UFMS, fez uma nova versão de um texto escrito pela fotógrafa Tracy Figg, que viralizou nas redes sociais.

Ela descreve lugares e circunstâncias em que as mulheres estariam vulneráveis ao estupro. "Na infância. Na pré-adolescência. Adultas. Idosas. NO PARTO. Na rua, na igreja, em casa", diz o texto.

O estudante usou a estrutura original para debochar do desempenho de mulheres como motoristas e comentou no post da fotógrafa. "Por não saber fazer baliza. Por invadir a pista ao lado, por andar na contramão. Nem toda mulher, mas sempre uma mulher"​, escreveu.

Nas redes sociais, seguidores questionaram quais medidas poderiam ser tomadas pela instituição de ensino diante do caso.​ Procurada, a UFMS diz que recebeu a denúncia e encaminhou o caso à ouvidora.

A instituição afirma ainda que "tem como objetivo qualificar os profissionais e respeitar os preceitos constitucionais". E também destaca que "tem uma comunidade universitária de 30 mil pessoas e o fato ocorreu externamente às atividades institucionais".

A Associação Atlética Acadêmica de Medicina da UFMS publicou uma nota de repúdio às declarações feitas pelo estudante.

Após a repercussão, o estudante apagou o comentário. Nos stories do seu perfil no Instagram, ele se defendeu das críticas e afirmou que o texto original faz uma "generalização ridícula".

À reportagem, Lucas disse repudiar o caso de estupro no Rio e reiterou argumentação publicada durante o dia em seus stories.

Ele afirmou que sua resposta teve o objetivo de expor o que chamou de "conclusão ilógica da publicação original". "Foi apenas um texto satírico, inocente e intencionalmente absurdo a fim de expor a ideia ridícula insinuada através da frase 'sempre um homem", disse.

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