Caso Flordelis: filha afetiva e neta de ex-deputada deixam penitenciária nesta segunda-feira

Rayane dos Santos Oliveira, neta de Flordelis e filha adotiva de Simone, e Marzy Teixeira, filha afetiva da ex-deputada Flordelis dos Santos, acabam de deixar o Instituto Santo Expedito, no Complexo Penitenciário de Bangu. Os alvarás de ambas chegaram no fim da tarde desta segunda-feira, apesar de terem sido expedidos no domingo pelo cartório da 3ª Vara Criminal de Niterói.

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Para recebê-las no portão, estava o namorado da pastora, Allan Soares, que entrou em prantos ao ouvir a sentença de 50 anos e 28 dias para Flordelis sendo lida pela juíza do caso, Nearis Arce, na manhã de domingo. Rayane e Marzy foram absolvidas pelo júri, assim como o filho de criação da pastora, André Luiz Oliveira. Ele é pai de Rayane. A mãe da jovem, Simone dos Santos Rodrigues, filha biológica da ex-deputada, foi condenada, a 31 anos e 4 meses.

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Ao G1, Rayane disse que as provas do caso são contundentes, mas considerou exagerada a condenação da avó a 50 anos e 28 dias de prisão:

“Deus foi fiel na minha vida, fomos absolvidas, não tem provas. Minha mãe e minha vó continuam, vamos seguir na batalha. Foram os próprios filhos que a traíram, foram ingratos, traíram, mas cada um tem livre arbítrio.”

Marzy também achou exagerada a pena da mãe. “Eu não sei se ela é culpada, acho que não me pediu nada, foi severa demais. Ninguém ganha 50 anos com a idade dela. Acredito na justiça, principalmente divina. Eu vou visitá-la, dar força e não vou abandonar”, disse Marzy ao G1.

André Luiz Oliveira — filho afetivo da ex-deputada, marido de Simone e pai de Rayane — foi o primeiro a ganhar a liberdade. Ele estava detido na Cadeia Pública Patrícia Acioli, em São Gonçalo, e foi solto neste domingo. Marzy foi absolvida por homicídio, tentativas de homicídio e associação criminosa armada, e Rayane por homicídio e associação criminosa armada.

Dos cinco que estavam no banco dos réus, a ex-deputada Flordelis dos Santos e a filha biológica Simone dos Santos Rodrigues foram condenadas pela morte do pastor Anderson, em 2019. Elas vão cumprir pena no mesmo presídio feminino, a Penitenciária Talavera Bruce, no Complexo do Gericinó (Bangu), na cidade do Rio.

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Flordelis recebeu pena de 50 anos e 28 dias de prisão pelos crimes de homicídio, tentativa de homicídio (por tentativas de envenenar a vítima), uso de documento falso (pelo plano de uma carta fraudada) e associação criminosa armada. Já Simone recebeu pena de 31 anos e 4 meses de prisão pelos crimes de homicídio, tentativa de homicídio e associação criminosa armada.

O pastor Anderson do Carmo foi morto a tiros em 16 de junho de 2019, na garagem da casa da família em Pendotiba, Niterói, Região Metropolitana do Rio.

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Outros condenados e absolvidos

O assassinato do pastor teve ainda outros envolvidos julgados, com condenados e absolvidos. Um deles é Flávio dos Santos Rodrigues, filho biológico de Flordelis com o primeiro marido, Paulo Rodrigues Xavier. Ele foi preso no dia seguinte à morte de Anderson por causa de um mandado de prisão do Juizado de Violência Doméstica. Dois dias depois, ele admitiu em depoimento ter matado Anderson. A confissão aconteceu depois de os policiais terem encontrado a arma do crime em seu quarto, na casa de Flordelis. Flávio afirmou ter ficado com raiva de Anderson após saber que ele tinha abusado de uma de suas sobrinhas.

Durante o primeiro julgamento do caso, em novembro do ano passado, Flávio foi condenado a 33 anos e dois meses de prisão por ser o executor do pastor Anderson do Carmo. Ele ainda respondeu por porte de arma de fogo de uso restrito e associação criminosa. A pena acabou reduzida pelo Tribunal de Justiça do Rio para 29 anos e três meses de prisão. No mesmo júri, foi condenado Lucas Cézar dos Santos Rodrigues, filho adotivo de Flordelis e Anderson.

Filho adotivo de Flordelis e Anderson, Lucas Cézar dos Santos de Souza foi preso horas após a morte do pastor Anderson por causa do mandado de busca e apreensão que havia contra ele. Na delegacia, foi ele quem começou a dar aos investigadores informações de que Flávio poderia estar envolvido no assassinato do pai.

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Lucas afirma que Marzy e Rayane tentaram convencê-lo a matar Anderson do Carmo, mas ele diz que não aceitou as propostas. O rapaz foi condenado por envolvimento no crime, por ter ajudado o irmão Flávio na compra da pistola utilizada para matar a vítima. Ele admite ter auxiliado o irmão na aquisição da arma, mas mudou de versão sobre saber ou não que ela seria usada para matar o pastor. O filho de Flordelis foi condenado a sete anos e seis meses de prisão por participação no crime, mas o Tirbunal de Justiça aumentou a pena para nove anos.

Junto com André, Carlos Ubiraci Francisco de Oliveira faz parte do primeiro grupo de adolescentes da favela do Jacarezinho. Ex-usuário de drogas, Carlos costuma relatar que foi salvo do vício por Flordelis e Anderson.

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Em abril deste ano, Carlos foi condenado a 2 anos, 2 meses e 20 dias de prisão apenas por associação criminosa armada. Ele foi absolvido das acusações de envolvimento no assassinato de Anderson e em tentativas anteriores de matar a vítima. Carlos foi solto no mês seguinte ao julgamento após conseguir liberdade condicional.

Adriano dos Santos Rodrigues é o filho biológico caçula de Flordelis, também fruto do casamento com Paulo Xavier. Ele foi acusado de envolvimento em uma trama na qual foi escrita uma carta, em setembro de 2019, mudando a versão dada até então para o crime.

Em 1º de novembro de 2019, durante audiência do caso, Lucas acabou revelando que a carta era uma farsa. Ele acusou sua mãe de ser a responsável por escrever o documento, e afirmou que apenas copiou o texto dentro do Presídio Bandeira Stampa, no Complexo de Gericinó, Zona Oeste do Rio, onde estava preso junto com Flávio. Lucas afirma que reconheceu a letra de Flordelis no texto original e alega que também estava assinado pela mãe. Ele foi condenado a 4 anos, 6 meses e 20 dias pelos crimes de uso de documento falso e associação criminosa armada. Adriano foi solto em maio deste ano.

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Envolvidos fora da família

O ex-policial militar Marcos Siqueira participou do plano da confecção da carta para atrapalhar as investigações do caso. Ele é acusado de pressionar Lucas para que ele copiasse o texto da correspondência e de auxiliar Flávio e Flordelis na escolha das informações falsas que foram inseridas no documento. Marcos foi condenado a 5 anos e 20 dias por uso de documento falso e associação criminosa armada. O caso aconteceu no presídio Bandeira Stampa, o mesmo onde encontravam-se os filhos de Flordelis, onde ele já cumpria pena de 480 anos e seis meses por ter participado de uma chacina na Baixada Fluminense que deixou 29 mortos.

Andrea dos Santos Maia, esposa de Marcos, foi apontada como responsável por entrar no presídio com a carta que deveria ser copiada por Lucas e de sair da unidade com a correspondência escrita pelo rapaz. Adriano foi quem buscou a carta com Andrea e levou até Flordelis. Em setembro de 2019, ela e a pastora trocaram mensagens, o que levaram a polícia a acusar a ex-deputada de ter armado para manipular as investigações.

Andrea alegou que seu contato com Flordelis ocorreu apenas para ajudar a ex-deputada a prestar auxílio aos filhos na prisão. A mulher do ex-PM fazia parte de um grupo que ajuda familiares dos presos a levarem itens como comida, itens de higiene e roupas. Ela recebeu pena de 4 anos, 3 meses e 10 dias após ser condenada por uso de documento falso e associação criminosa armada.