Caso Flordelis: filho afetivo diz que choro de ex-deputada em enterro do marido assassinado 'não foi verdadeiro'

Um dos filhos afetivos de Flordelis dos Santos de Souza, Alexsander Felipe Matos Mendes é ouvido por videoconferência durante o julgamento da ex-deputada, apesar de estar presente no fórum de Niterói, onde ocorre a sessão. Ao ser indagado sobre a postura de Flordelis durante o enterro do pastor Anderson, Alexsander afirmou que o choro da ex-deputada “não era verdadeiro” e disse ter tomado conhecimento de que a mãe tinha trocado de roupa três vezes durante o velório do pastor.

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Alexsander relatou ainda ter presenciado, na casa da família, o momento no qual Flordelis falou para Rayane, batendo em seu ombro, para que ela não chorasse. “A gente agora vai ter mais pra gente, vamos sair juntas”, teria dito a ex-deputada.

Alexsander é o primeiro dos seis filhos que ficaram contra a ex-deputada a ser ouvido nesta terça-feira, segundo dia do julgamento. Também devem prestar depoimento Daniel dos Santos de Souza; Roberta dos Santos; Wagner Andrade Pimenta, o Misael; Daiane Freires; e Erica dos Santos de Souza, todos filhos de Flordelis, e duas netas da pastora, Raquel Passos e Rebecca Passos.

A juíza do processo, Nearis dos Santos Carvalho Arce, deferiu um pedido feito pela defesa da também pastora, para que todas as testemunhas que não quiserem depor na presença dos réus sejam ouvidas por vídeo para que os acusados possam acompanhar seus depoimentos.

O Ministério Público foi contra o depoimento das testemunhas por videoconferência e defendeu que os acusados deveriam deixar o plenário, podendo assistir ao depoimento também à distância. A primeira pergunta feita pela promotora Mariah Soares da Paixão a Alexsander foi sobre o motivo pelo qual não queria ser ouvido na presença dos réus.

— Foi a questão que eu tenho sentimento e não sei qual seria minha reação.

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Alexsander é a segunda testemunha a ser ouvida no segundo dia de julgamento. Flordelis é acusada de ser mandante da morte do marido, o pastor Anderson do Carmo. Além dela, são julgados três de seus filhos — Simone dos Santos Rodrigues, André Luiz Oliveira e Marzy Teixeira, além de uma neta, Rayane dos Santos.

A promotora questionou o porquê de a testemunha não querer mais ser chamada de Luan, conforme era conhecido na família.

— Não quero mais nada que me lembre desse passado. Infelizmente ainda me acompanha. Luan foi ela quem colocou. Ela estava colocando nome em todo mundo.

Alexsander foi citado, ao lado de Wagner Andrade Pimenta, o Misael, nas cartas escritas por Lucas Cezar dos Santos de Souza, um dos filhos adotivos de Flordelis. No documento, escrito em setembro de 2019, era apresentada uma versão diferente do crime do que vinha sendo investigado pela polícia. Nelas, Lucas alega que tinha arranjado pessoas para matar Anderson a pedido de dois irmãos — Misael e Alexsander — que sequer eram alvo da investigação, mas já tinham se posicionado contra a ex-deputada. Mas, em uma delas, a mais longa, ele diz que os irmãos pediram para dar “um jeito no Anderson”. Já na outra correspondência, o rapaz diz que os dois pediram para ele dar “um susto no Anderson”. A primeira carta foi assinada por Lucas apenas com seu primeiro nome a segunda, com seu nome completo.

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Segundo o Alexsander, os melhores alimentos disponíveis na casa era para os privilegiados:

— Se perguntar se tinha diferenciação, vou falar que tinha. Não preciso mentir. A Simone era muito diferenciada na casa porque além de ser filha, digamos assim, era unha e carne. E os próprios filhos tinham regalias. Até na própria comida — afirmou.

No primeiro depoimento desta terça-feira, o policial Tiago Vaz, da equipe do delegado Allan Duarte, afirmou que a casa da pastora era dividida em "facções". Questionado sobre a dinâmica da família pelo Ministério Público, o agente afirmou que havia divisões:

— Dinâmica complicada. Aos poucos, foi aparecendo. Uma família rachada, que tinha privilégios para um grupo e outros não. Eram facções. Uma facção ajudou no cometimento do crime, outra ficou insatisfeita. Então uma facção denunciou a existência desse conluio

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Conforme dito em depoimento anteriores, Alexsander voltou a afirmar que Simone, também acusada de envolvimento no crime, confidenciou para ele que estava envenenando Anderson, mas não conseguia matá-lo. Segundo ele, isso ocorreu na época em que a vítima vinha passando mal e precisando de atendimento médico. Segundo o Ministério Público, Anderson estava passando mal porque estavam tentando assassiná-lo envenenado.

— Ela (Simone) falou pra mim: ‘Eu tô matando, mas ele não morre. Ele fica ruim, mas não morre. Ele é forte’.

O filho afetivo de Flordelis acrescentou que Simone não tinha coragem para cometer o crime, o que teria irritado a ex-deputada.

— A Simone disse pra mim que a Flordelis disse que se ela não tinha coragem (de matar), que procurasse a Marzy.

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Simone e Marzy também são julgadas, junto com Flordelis, acusadas de envolvimento no plano para matar Anderson do Carmo.

Alexsander chegou na casa de Flordelis aos 15 anos, ainda na favela do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio. Ele faz parte do primeiro grupo de adolescentes que foram morar com a ex-deputada no início dos anos 90. Estão nesse grupo a própria vítima, pastor Anderson do Carmo, Wagner Andrade Pimenta, conhecido como Misael, Carlos Ubiraci, André Luiz de Oliveira e Cristiana Passos.